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Sérgio Conceição e a final na “sua” Coimbra: “Aqui, no Cazaquistão ou na China, o importante é ganhar”

O treinador do FC Porto não esconde as boas recordações que tem da sua região natal, mas importante é mesmo juntar a Taça de Portugal à Taça. Numa das últimas conferências do ano, Sérgio Conceição explicou ainda os segredos da preparação do FC Porto durante a quarentena e desvalorizou a aparente falta de experiência de Nélson Veríssimo

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA

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Semana igual

“A preparação do jogo foi exatamente igual a todas as outras semanas, não muda nada. Este jogo foi exatamente igual, uma semana normal de trabalho, com muita ambição, confiança, alegria a partir de terça-feira, porque tivemos de ver o que correu mal com o Sp. Braga. Está em causa um título”

Vitórias na Liga

“Com a experiência que eu tenho no futebol, acho que os dois jogos contra o Benfica no campeonato fazem parte do passado. A estatística, nada disso interfere na preparação para o jogo”

Aprendeu nos últimos anos?

“Ai aprendi! Aprendo todos os dias. Com os jogadores, com quem trabalha aqui no Olival. Com o pessoal que trata a relva. A aprendizagem é contínua e diária. Vamos ganhando essa maturidade com a aprendizagem diária. É preciso estar aberto para isso e eu estou”

A pouca experiência de Veríssimo

“O Bruno Lage não tinha muita experiência e fez um bom trabalho. O Veríssimo já é treinador há alguns anos. Tem um trajeto longo na formação e também se aprende muito”

Elogios de Luís Gonçalves

“Não gosto muito de elogios, vocês já me conhecem. Nas férias ainda suporto, mas em competição prefiro não falar. Mas o Luís Gonçalves às vezes tem de falar de vez em quando. É uma pessoa muito importante, se calhar pouco mediática. Olho para os elogios com responsabilidade e vontade de continuar a agradar às pessoas”

Plano do Benfica

“Não sei qual é o plano traçado pelo Veríssimo, não posso controlar o lado estratégico. No decorrer do jogo posso corrigir alguma coisa. O único que podemos controlar é a nossa estratégia. É uma final apaixonante porque é imprevisível”

Pandemia

“Tivemos de fazer muitas coisas diferentes, foi uma situação diferente. O estado de espírito foi fantástico, dos jogadores, staff técnico e do departamento técnico. É diferente um treino para um jogador que vive num apartamento ou um que tem um jardim. Houve muita gente a contribuir para que os jogadores tivessem treino de qualidade. Foi importante o acompanhamento do aspeto físico mas também emocional. Tivemos várias videoconferências. Não foi fácil, mas foi bom. Houve a inteligência de perceber que poderia ser um período muito importante. Para já não foi mau, ganhámos o título”

Sensações antes do jogo

“Quando era jogador gostava dessa sensação do frio na barriga. Depois passa, porque o foco é tão grande. Enquanto treinador quero sentir sempre essa adrenalina. Mas o frio na barriga sinto quando encontro pessoas com dificuldades, crianças, pessoas mais idosas. Isso toca-me. Tive algumas visitas ao IPO e é um sentimento difícil de explicar. Há coisas mais importantes que uma final. Tenho a adrenalina normal num jogo de futebol. Mas com outras coisas, deve ser da velhice, fico cada vez mais emocionado”

Menos pressão que há um ano?

“Não há nenhum aparelho que possa avaliar a pressão. Nada do que se passou… isso não entra no foco do jogo. O Danilo falava que não era pelas duas finais que perdeu… se tivesse ganho a ambição era igual”

Benfica de Veríssimo diferente?

“Pequenas diferenças, porque um ou outro jogador são diferentes. No esquema tático encontro uma ou outra diferença. Os jogadores são todos diferentes e dão coisas diferentes ao jogo”

Jogo especial por ser em Coimbra

“Para mim gosto de ganhar nem que seja na China. Quando vou a Coimbra, é a minha cidade - quer dizer, eu sou de uma aldeia perto, de Oliveira de Frades - e tenho um gosto enorme. Vem-me à cabeça algumas coisas bonitas da minha infância, mas ganhar aqui, no Cazaquistão ou na China, o importante é ganhar”