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Conceição e expulsão: "As horas que se passou na TV a falar disso... preferia andar nas obras do que a fazer as figuras que alguns fazem"

Na antevisão ao jogo com o Portimonense, Sérgio Conceição atirou-se aos comentadores que o julgaram "como homem" após a expulsão no jogo com o Paços de Ferreira e diz que Nuno Almeida o expulsou não por palavras, mas sim pela cara que fez

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Portimonense

“Equipa com boas individualidades e um coletivo interessante e que vai com certeza querer fazer o seu jogo. Vamos ver como se vão apresentar aqui, em termos estruturais. Estamos preparados para duas situações, uma que usaram mais no início, contra o Sporting. Estamos preparados para as diversas situações do Portimonense, percebendo e sabendo daquilo que nós devemos fazer para ganhar o jogo”

Expulsão

“Estava a contar uma história engraçada ao Rui [Cerqueira] antes de vir para aqui. A semana passada foi toda a falar da expulsão e esqueceram-se de dar mérito ao Paços, ao Boavista. Se calhar a intenção é essa. Esqueceram-se da grande vitória europeia que o FC Porto teve e que infelizmente as outras equipas portuguesas não tiveram. Isso não foi falado na televisão. O que falaram foi que reação é que o árbitro teve, o Sérgio Conceição, se foi a forma de caminhar, se foi mais rápida ou mais lenta… A história que estava a contar ao Rui é que falei com o meu filho sobre o tal olhar, a cara. E o meu filho disso: ‘Oh papá, quando me metes de castigo é aquela cara que tu metes’. E eu perguntei-lhe: ‘Mas tu não me expulsas de casa pelo olhar, pois não?’. Sinceramente não sei o que dizer. O que não se falou é que o FC Porto, tirando as equipas dos campeonatos mais fortes, do big five, é a primeira equipa do ranking da UEFA, tivemos mais uma vitória saborosa na Champions e não se falou e ouviu-se esta história de Paços de Ferreira, dos erros do Nuno Almeida, como se o FC Porto tivesse conquistado os três pontos. Lembro que o FC Porto perdeu o jogo. Um jogo em que eu no final, como faço sempre, vou cumprimentar o árbitro e quando o cumprimento, sem dizer absolutamente nada, oiço um comentário a dizer que a minha cara era sempre a mesma. Eu voltei para trás, quando vou para começar a falar vejo o amarelo. Pergunto: “Amarelo porquê? Eu queria falar dos quatro minutos”. E levo vermelho. A partir daí… é inacreditável, ridículo. Se me perguntarem se há situações em que mereci ser expulso e não fui, houve, sim. Mas também houve situações em que fui expulso e me senti injustiça. Lembro-me de ser expulso por festejar efusivamente um golo, quando estava no Olhanense. Mas para mim esta é a mais ridícula. Das duas uma, ou tenho de meter máscara e óculos para ir cumprimentar os árbitros ou não posso cumprimentar mais. Estava com uma cara pesada, porque sabia da prestação pouco competente da minha equipa e sou expulso. Depois perguntei-lhe porque é que ele me tinha expulsado. E ele disse: ‘Expulsei-te não por alguma coisa que tivesses dito ou falta de respeito, mas pela tua cara’. Não quero falar mais nisto, é um assunto encerrado. As horas que se passou a falar disto na televisão, isso é que é grave. Muitos dos paineleiros depois de jantar têm facilidade em o fazer, outros é clubite aguda. Preferia andar nas obras de manhã à noite do que fazer as figuras que alguns fazem na televisão, a julgar não só o treinador, e nisso estão no seu direito, agora a falar do homem, como eu ouvi, isso eu não admito, até porque não conheço muito daquela gente”

Pausa para seleções

“Pois o que eu queria era ter essa calma para preparar a equipa, não vou ter é jogadores. A minha vontade era essa mas fico com poucos jogadores. Mas com os que fico e com os que são novos no plantel que vieram agora no mercado vamos trabalhar o que ainda não tivemos tempo, por causa desta densidade competitiva”

Mudança de chip

“Frente ao Paços aconteceu um mau jogo, provavelmente o pior da minha carreira como treinador, muito sinceramente, já tive a oportunidade de dizer isto aos jogadores, mas estes tropeções acontecem. O estado de espírito e de alerta tem de estar sempre no máximo e esse trabalho não é só dos jogadores, também é do treinador e de todos. Quando falo que somos campeões é do presidente ao cortador de relva. Quando perdemos também tem de ser assim, todos têm de assumir a sua culpa e nesta casa ninguém foge à responsabilidade”

Ver jogo na bancada

“É como aqueles casais que se conhecem há muito tempo e às vezes apreciam o silêncio e às vezes um simples olhar já sabemos o que o outro tem a fazer no treino, se há uma palavra a mais ou a menos. O conhecimento é grande. O Vítor Bruno está completamente dentro das minhas ideias, ele conhece-me bem e ele a mim, é competentíssimo naquilo que faz, aliás, vai ser um futuro grande treinador, assim como o Dembelé o poderá ser se assim o entender. Estou em comunicação e nessa questão não há problema nenhum até porque já estamos um bocadinho habituados. A coisa boa é que não me podem expulsar da bancada do Dragão, só se for o presidente. Quer dizer, depende da forma como eu olhar para ele. Mas como eu olho sempre com ternura e carinho para o presidente, acho que ele não me vai expulsar”

Sarr e Zaidu

“Sim, entraram bem e estão cada vez melhor. O Sarr jogou numa posição confortável para ele, porque em França ele jogava numa linha de cinco, com três centrais e ele sobre a esquerda e o Zaidu tem um potencial enorme, mas tem ainda de trabalhar alguns pormenores, é normal num jogador jovem”