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A melhor cara do FC Porto é a cara de Sérgio Oliveira

O médio do FC Porto marcou e ofereceu duas assistências na vitória do FC Porto por 3-1 sobre o Portimonense. Depois de uma 1.ª parte fraca, em que os algarvios até foram os primeiros a marcar, os campeões nacionais, que tiveram Sérgio Conceição na bancada, subiram o nível no segundo tempo, sempre com o internacional português como pêndulo

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Portimonense, Sérgio Conceição descreveu com um pormenor de romancista o esotérico caso da sua expulsão frente ao Paços de Ferreira. Disse o treinador do FC Porto que estava aborrecido com o jogo e que não foi propriamente com sorrisos que se dirigiu ao árbitro para dar o bacalhau da praxe no final do encontro. “Estavas com a cara que metes quando me dás castigos”, terá dito, mais coisa menos coisa, um dos filhos do treinador quando Sérgio com ele comentava o momento, contou o próprio.

E terá sido pela cara de Sérgio, a tal cara de castigo, que o treinador acabou por ver vermelho, informação que o próprio Nuno Almeida facultou ao técnico do FC Porto. Caras há muitas, não sei até que ponto podem valer expulsão, de expressão dramática sei pouco, e da sua Sérgio diz que se falou demais ao longo da semana. Talvez tenha razão. Ou melhor, se calhar não era da cara de Sérgio que se deveria falar mas sim das duas caras do FC Porto, tão resplandecente na Europa e um pouco fechada cá dentro, um bocadinho como a capa do primeiro álbum do Chico Buarque, estão ver?

Pois bem, depois de um festival europeu contra o Marselha, o FC Porto voltou às lides domésticas e na 1.ª parte contra o Portimonense viu-se, de novo, a cara menos boa do FC Porto, permissivo, pouco pressionante, sem soluções para a defesa fechada dos algarvios, que aos 14 minutos se colocaram à frente do marcador depois de uma perda de bola a meio-campo (uma das muitas), com Zaidu a permitir que se abrisse uma auto-estrada na sua ala, que acabou com Moufi a cruzar para a cabeça de Beto.

Passivo e sem intensidade, só de bola parada ou de longe o FC Porto conseguiu aproximar-se da baliza de Samuel. As dificuldades no ataque, onde Marega pareceu sempre perdido, fizeram Vítor Bruno/Sérgio Conceição puxarem da arma Taremi ainda antes do intervalo, solução que daria frutos na 2.ª parte.

Ainda antes disso, apareceu o empate: já com o relógio na compensação, Sérgio Oliveira marcou o canto e Mbemba cabeceou para o 1-1, um golo que, naquela altura do jogo, só poderia surgir mesmo de bola parada.

MIGUEL RIOPA/Getty

Mas na 2.ª parte, apareceu um sorrizinho na cara do FC Porto. Logo na primeira jogada, o cruzamento de Sérgio Oliveira encontrou a cabeça de Taremi, com o iraniano a fazer o primeiro golo ao serviço dos campeões nacionais. Talvez a solução estivesse ali, com aquela presença malandra na área e o médio português na condução.

O jogo, aliás, virou de face porque neste momento Sérgio Oliveira é a melhor cara do FC Porto. Dele saíram as assistências para os dois primeiros golos da equipa e o remate certeiro para o 3-1 final, já aos 89’, numa das únicas jogadas com cabeça, tronco e membros que saíram bem ao ataque do FC Porto este domingo. Na outra, curiosamente, Sérgio Oliveira falhou em frente à baliza, após um passe adocicado de Marega. Mas Sérgio foi bem mais do que isso: do seu cérebro saíram a ponderação e o sangue frio na hora de fazer marcha-atrás num jogo que chegou a parecer muito complicado para o FC Porto.

Mesmo com uma exibição longe de maravilhosa, o FC Porto voltou às vitórias, num jogo em que precisou de mexer cedo para desatar o nó que o Portimonense estava a apertar - e contra equipas fechadas, dá sempre jeito ter um ponta-de-lança matreiro como Taremi.

Já o Portimonense segue em agonia. Continua sem conseguir qualquer ponto nas deslocações a casa do FC Porto e, pior, estacionou no último lugar da tabela, com apenas 4 pontos em sete jogos.