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Inácio sobre Reinaldo Teles: "Ele tratava os jogadores com tanta educação, eu diria até com tanto amor..."

Augusto Inácio recorda "o chefinho" que "sabia falar mas acima de tudo, ouvir".

Alexandra Simões de Abreu

lucília monteiro

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"Quando Reinaldo Teles entra na direção de Pinto da Costa em 1982, Augusto Inácio chega no mesmo ano ao clube, como jogador. Privou muitos anos com o dirigente que, garante, era uma "figura paternalista" - o que levava alguns a chamá-lo de tio, mas a maioria por "chefinho" -, e "sabia falar mas acima de tudo, ouvir". Diz que quando Reinaldo falava com os jogadores fazia-o com "um carinho" que não havia maneira de rebater o que dizia. "Ele tratava a gente com tanta educação, eu diria até com tanto amor...O que ele mais gostava era que nós jogadores nos sentíssemos bem no clube", sendo que esse sentir bem para ele era sentirem "um ambiente de família. Ele gostava de construir essa atmosfera à nossa volta", explica.

E nos momentos chave, continua Inácio, o agora administrador da SAD do FCP, estava sempre lá para apoiar os jogadores. E dá um exemplo: "Se um jogador tinha uma multa qualquer, porque fez isto, ou porque deitou-se tarde. Ele ia por trás, sem ninguém saber, falava com o jogador e dizia-lhe 'ouve lá, tu tem calma, não andes nessas vidas. Se marcares um golo amanhã, eu depois vou ver como é que vou tratar essa multa'. E o jogador já não ia para o campo a pensar na multa que ia ter. Fazia um golo, ou se não fizesse o golo, o FCP ganhava, e 'o chefinho' ia ter com ele 'ouve lá, isto fica em stand by, mas não faças mais isso porque na próxima não posso fazer mais nada por ti, vais ser multado e eu não te quero multar'. Ele levava as coisas desta forma".

Augusto Inácio diz que não conhece ninguém que alguma vez tenha dito mal de Reinaldo Teles. "Toda a gente tinha uma palavra de agradecimento, de carinho" por aquela figura do FCP. Sobre a relação com Pinto da Costa, assegura que nunca o ouviu a criticar o presidente, antes pelo contrário, dizia sempre "O homem sabe o que é que está a fazer. Se tomou essa decisão é porque ele sabe que aquele é que é o caminho". E se os jornalistas insistiam com ele sobre algum assunto do futebol, respondia sempre "Isso é com o presidente". Nunca ultrapassava aquilo que achava que era o seu espaço.

A última vez que esteve com Reinaldo Teles foi "há coisa de quatro cinco meses" numa ida ao Porto. "Encontrei-me com ele num restaurante. A primeira coisa que ele fez quando me viu entrar no restaurante foi levantar-se e dizer 'olha o meu querido Inácio'. Eu disse 'então, chefinho?'. E ficaram as pessoas todas a olhar'. Por isso é que guardo no coração o trato e a fineza com que ele tratava as pessoas".

E se a nível de gestão do clube esta perda não se fará sentir muito porque Reinaldo Teles ultimamente já não tinha a mesma preponderância que teve enquanto administrador, a nível sentimental Inácio afirma que vai refletir-se em Pinto da Costa e no clube porque, não tem dúvidas "toda a gente gostava de Reinaldo Teles".