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FC Porto. Há dilemas que só se resolvem ao pontapé de bicicleta

O FC Porto bateu o Santa Clara, nos Açores, com um golo espetacular de Luís Diaz, num cruzamento de Manafá que desafiou a chuva e o vento que condicionou o jogo, apresentando vários problemas às duas equipas

Pedro Candeias

EDUARDO COSTA

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Pedimos desculpa pela interrupção, a crónica segue dentro de algumas linhas. Antes, umas palavrinhas do nosso Instituto Português do Mar e da Atmosfera que nos alerta para a forte agitação marítima, vento e chuva em sete das nove ilhas do arquipélago dos Açores, particularmente São Miguel, em aviso amarelo a partir das 18h.

Assim se contextualiza um jogo agendado precisamente para as 18h e que por isso nunca poderia decorrer normalmente se o IPMA acertasse em cheio. Foi o que aconteceu: nos primeiros minutos do Santa Clara - FC Porto, caiu a chuva e levantou-se a ventania, complicando o trabalho de toda a gente, sobretudo aos de fora, que os da casa estão naturalmente mais habituados a um lugar onde as quatro estações se sucedem em 24 horas.

“Estás mas é a desculpabilizar o FC Porto”, sugerirá o intrépido leitor, pois os portistas saíram dos Açores com uma vitória magérrima, por 1-0, em que tiveram de suster uma reação bastante interessante do Santa Clara nos últimos 20 minutos.

Na verdade, talvez esteja a desculpabilizar ambos pelo desempenho que os dois produziram e que foi o possível face ao que encontraram. Porque é difícil jogar à chuva, quando o relvado empapa e a bola prende a finta e o passe curto; e porque é difícil jogar ao vento, quando a bola é chutada ou cruzada e a trajetória se assemelha à de um bolinha de papel arremessada ao deus-dará.

Perante este dilema - vamos por cima ou por baixo? - é sempre provável que a coisa se decida em disparates ou em lances de génio. Calhou a Sérgio Conceição ter Luís Diz do seu lado: num cruzamento de Manafá, o colombiano saltou de costas - na realidade, enviesado - para a baliza e marcou de bicicleta já o encontro se encaminhava para o intervalo.

De um 4x3x3 contra outro 4x3x3, destacou-se a posse portista, um arranque de Díaz, a segurança açoriana e alguns passes que saíram compridos ou curtos demais, com ângulo demasiado largos - a propósito, anulou-se, e bem, um golo de Grujic na sequência de um canto em que a bola passou a linha de fundo.

Depois, na segunda-parte, o rame-rame manteve-se, o FC Porto aparentemente satisfeito e o Santa Clara visivelmente ineficiente, e a chuva e o vento também a ajudarem à depressão futebolística.

Era preciso mudar.

Aos 65’, Sérgio Conceição sacou Grujic e Taremi e pôs Marega e Uribe, a dupla alteração não teve efeito: pelo contrário, o FC Porto ficou mais perigoso, baixando até as suas linhas.

No mesmo minuto, Daniel Ramos pôs Lincoln e Jean Patric, retirou Diogo Salomão e Costinha, o clique foi instantâneo: em dois, três lances, o Santa Clara deixou o lado esquerdo do FC Porto em apuros.

Foi então que os açorianos se lançaram para a frente e somaram alguns remates que resultaram em nada de espetacular, mas suficientemente perigosos para desassossegar o campeão nacional: Carlos Júnior obrigou Marchesin a defender, mas estava fora-de-jogo: Santana teve o golinho à mercê, mas Mbemba cortou-lhe a bola no instante decisivo.

Por outro lado, aproveitando o balanço do Santa Clara, os portistas podiam até enrobustecer o triunfo, por Otávio (87’) e por Sérgio Oliveira (90’), mas nada sucedeu.

O encontro acabou, pouco depois, e os portistas somaram três pontos. E é isso que, em última análise, conta.