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E o FC Porto ganhou com o resultado com o qual Sérgio Conceição não quer ganhar

Na antevisão ao jogo com o Tondela, numa semana em que tanto se falou de organização defensiva, o treinador do FC Porto disse que preferia vencer por 1-0 do que por 4-3. Mas esta noite, no Dragão, a organização defensiva das duas equipas esteve em parte incerta e restou-nos um jogo cheio de golos. E com o tal resultado que Conceição não gosta nada: 4-3

Lídia Paralta Gomes

JOSE COELHO/LUSA

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É curioso. Nos últimos dias, antes deste FC Porto - Tondela, muito se falou em organização defensiva. Paco Ayestarán disse que não tinha qualquer pudor em ir ao Dragão com 10 jogadores atrás a linha da bola. Houve quem pensasse em anti-jogo, mas Sérgio Conceição respondeu logo que não, não, jogar com 10 atrás da linha da bola é uma estratégia defensiva como outra qualquer, não criticável, que dava até um milhão de euros a quem encontrasse uma declaração sua a xingar um colega de profissão por contra si jogar à retranca. Disse ainda Conceição, mais uma vez, que dá muita importância ao momento defensivo, que prefere ganhar 1-0 a 4-3.

E, depois deste falatório todo, de andarmos aqui minutos e minutos a falar de defender, o FC Porto - Tondela acabou 4-3.

Isto quer dizer que o FC Porto - Tondela foi um jogo em que, ironia das ironias, ninguém defendeu particularmente bem. Por outro lado, foi um jogo bem animado. Os adeptos agradecem. Pako Ayestarán e Sérgio Conceição - e este apesar da vitória - nem por isso. Para o FC Porto, que com Conceição sempre se pautou pela coesão defensiva, é o terceiro jogo no campeonato a sofrer três golos, depois das derrotas com Marítimo e Paços de Ferreira. Este sábado só não perdeu porque o Tondela defendeu bem pior do que atacou, com o FC Porto a deixar estranhamente escapar por entre os dedos o controlo que parecia ter tanto no início de jogo como no início da 2.ª parte.

Porque no início o FC Porto parecia avassalador, com a dupla Taremi-Marega a mostrar que, sim, é compatível e, sim, poderá provavelmente ser a melhor solução, com a técnica do iraniano e a força do maliano, sempre pronto a abrir espaços. Logo aos 4’, Taremi conduziu o contra-ataque, controlou o espaço e deu para Otávio à entrada da área. O brasileiro, com classe, viu Zaidu sozinho e passou para o nigeriano, que assim fez o primeiro. Ao golo seguiram-se mais lances de perigo para o FC Porto, com Marega e Taremi a desperdiçarem, enquanto o Tondela, perdido, tentava encontrar a organização defensiva que havia prometido.

E foi quando o FC Porto estava ainda lançado para o ataque que o Tondela, não estando bem na defesa, resolveu estar implacável no ataque. Aos 20’, uma bola perdida a meio-campo por Sérgio Oliveira e não aliviada por Sarr permitiu a triangulação e o contra-ataque entre Mário Gonzalez e Rafael Barbosa, com o português a oferecer o golo ao espanhol, isolado na cara de Marchesín. E aos 33’, um cruzamento de João Pedro na esquerda passou por toda a gente e foi parar aos pés de Rafael Barbosa, que quase sem ângulo bateu novamente o guarda-redes do FC Porto.

JOSE COELHO/LUSA

Vendo-se a perder, o FC Porto respondeu rapidamente, três minutos depois, com um golo de Marega na sequência de um canto e foi então já com 2-2 no marcador que o jogo foi para intervalo.

Na 2.ª parte, o FC Porto voltou a entrar com tudo, Marega voltou a marcar aos 48’, fazendo nova reviravolta no jogo, numa grande jogada coletiva da equipa de Sérgio Conceição. A partir daí foi como se o Tondela se tivesse esquecido de defender. Aos 56’, Uribe levou tranquilamente a bola até à linha, teve tempo e espaço para ver Taremi sozinho na área e deu a bola ao iraniano para o 4-2. Nos minutos seguintes, Sérgio Oliveira falhou vários lances de perigo iminente e parecia que ao susto inicial o FC Porto ia responder com um massacre.

Mas fosse pelas defesas do guarda-redes do Tondela ou por manifesta falta de pontaria, a bola teimou em não entrar e os beirões, numa das primeiras incursões até ao meio-campo adversário na 2.ª parte, voltaram a deixar tudo em aberto: aos 74’, numa jogada pela esquerda, Pedro Augusto cruzou tenso, Sarr abordou mal o lance e o espanhol Mário González bisou com uma cabeçada poderosa.

E daí até final, o FC Porto sofreu. O Tondela procurou o empate, a defesa da equipa da casa desorganizou-se e tudo piorou quando numa ação irrefletida Uribe cortou um lance de ataque com a mão e foi expulso. Nos derradeiros momentos, mais uma falha de marcação deixou Khacef sozinho na esquerda, com o 24 do Tondela a rematar forte, em cheio na barra.

Foi de respiração em suspenso que o FC Porto terminou o jogo, um 4-3 que vale três pontos, é certo, mas que terá pouco ou nada agradado a Sérgio Conceição. Porque no futebol também é preciso pôr o dinheiro onde a boca está, como dizem os nossos amigos anglófonos.