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O Imperador Otávio, um eléctrico chamado Diaz, mas também as oportunidades perdidas

O FC Porto já nem precisava, até entrou em campo com um onze renovado, mas ainda assim foi a casa do Olympiacos conseguir mais uma vitória nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Um 2-0 seguro em que os melhores até foram os habituais titulares e em que alguns menos utilizados talvez tenham perdido uma boa oportunidade de se mostrarem. Ainda assim, o coletivo coeso da equipa de Sérgio Conceição nunca deixou dúvidas de quem era a melhor equipa em campo

Lídia Paralta Gomes

MB Media/Getty

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Com tudo já definido nas contas da Champions, Sérgio Conceição foi à Grécia com um onze praticamente novo, muitas caras novas, gente a precisar de minutos e confiança, de uma oportunidade de ouro de se mostrar, frente a um Olympiacos que ainda jogava uma possível presença na Liga Europa frente ao FC Porto.

Entre as caras mais recorrentes, apenas três: Mbemba, Zaidu e, a meio-campo, Otávio. Diogo Costa, Felipe Anderson e Toni Martinez ouviram primeira vez o hino da Liga dos Campeões, enquanto Nanu, Romário Baró e até Diogo Leite, até agora pouco utilizados, tiveram também a sua oportunidade.

Nestas coisas, Sérgio Conceição não costuma dar ponto sem nó: com um calendário tão apertado, dá jeito gerir, é certo, mas para o treinador do FC Porto há também aqui um quê de desafio - porque apesar de pouco ou nada servir em termos de resultado, falhar num jogo destes, não dar o litro, não mostrar atitude competitiva mesmo nos jogos com menos pressão, pode ser o fim de linha para um jogador de Conceição.

Enquanto equipa, o FC Porto foi quase sempre hipercoeso, organizado, forte na defesa, a controlar com bola e muitas vezes sem ela, perante um Olympiacos que só no início da 2.ª parte assustou qualquer coisinha. E aí, Otávio, um dos resistentes entre os habituais titulares, foi imperial: na 1.ª parte vagabundeou no meio-campo, mais livres do que normalmente, a jogar e a fazer jogar, a marcar o ritmo e a gestão dos tempos. Também foi dele o primeiro golo do FC Porto, de grande penalidade, aos 10’, um golo que deu ainda mais tranquilidade à equipa portuguesa.

MB Media/Getty

Mas para lá do domínio coletivo, que às vezes aconteceu só com o olhar, que o FC Porto impingiu no Pireu durante grande parte do jogo, talvez alguns jogadores tenham falhado a oportunidade de se mostrarem de um ponto de vista mais individual, o chamado fazer pela vida.

Felipe Anderson até enviou uma bola à barra no início do jogo e foi um dos homens que mais correu enquanto esteve em campo, mas ofensivamente quase nada trouxe de novo. Romário Baró pareceu ofuscado pela gigante exibição de Otávio, enquanto Toni Martinez andou muito sozinho no ataque - curiosamente, a sua melhor intervenção no jogo foi defensiva, já na 2.ª parte, quando fechou as portas a um cruzamento perigoso de Rafinha pela esquerda, impedindo a bola de chegar aos avançados do Olympiacos, que já a esperavam na pequena área. Já Diogo Leite esteve excelente, talvez num dos jogos mais seguros do jovem central pelos dragões.

A verdade é que os melhores momentos do FC Porto apareceram quando os titulares entraram. Uribe, Corona e principalmente Luis Diaz, eléctrico pela direita, por todo o lado, a deixar Rafinha, lateral experiente, com a cabeça em água, obrigando mesmo o brasileiro a faltas duras - só assim foi possível parar o colombiano.

Foi já dentro dos últimos 15 minutos que apareceu o 2-0, numa jogada que começou numa excelente reposição de Diogo Costa, foi parar aos pés de Luis Diaz, que deitou Rafinha ao chão antes da bola ir parar a Uribe, que rematou forte para a baliza de José Sá que, tapado por colegas, não conseguiu parar o tiro.

O 2-0 é aquele resultado que não é magro nem gordo: é seguro. E o FC Porto assim foi não só esta noite em Atenas como em praticamente toda esta fase de grupos da Champions, onde não sofreu golos nos últimos cinco jogos, uma estatística admirável a este nível.

Olhando para o jogo com o Olympiacos, nem nos momentos em que os gregos tiveram mais bola o resultado pareceu em risco, com o FC Porto a mostrar uma maturidade competitiva que, por exemplo, faltou no último jogo da liga, frente ao Tondela, ainda que Sérgio Conceição provavelmente quisesse ter visto mais provas da profundidade do seu plantel.