Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
FC Porto

O fator Otávio

Sem o brasileiro, o FC Porto foi uma equipa soporífera. Com ele, o jogo finalmente ficou ligado. A equipa de Sérgio Conceição bateu o Paços de Ferreira (2-1) nos quartos de final da Taça da Liga, está na final four e se tal aconteceu foi porque Otávio foi o fator que desequilibrou

Lídia Paralta Gomes

ESTELA SILVA/LUSA

Partilhar

O FC Porto está na final four da Taça da Liga mas tem um problema em mãos. E esse problema chama-se Otávio Edmilson da Silva Monteiro. Ou melhor, o problema não é Otávio per se. O problema é Otávio estar prestes a ficar sem contrato e como foi possível ver pelo jogo desta quarta-feira com o Paços de Ferreira, é possível que Otávio seja, de momento, o jogador mais influente do FC Porto.

Porque só houve FC Porto nos quartos de final da Taça da Liga quando o brasileiro entrou ao intervalo. Até aí, o jogo fez-se a ritmo pré-natalício, numa 1.ª parte arrastada, soporífera, apesar da equipa de Sérgio Conceição até ter estado perto de marcar logo aos 4’ por Luis Díaz, a aparecer de forma algo atabalhoada em frente a Jordi que, atento, afastou o perigo. Daí até à meia-hora assistiu-se a uma longa sessão de apalpação de terreno, com o FC Porto mole a meio-campo e sem criatividade no último terço quando tinha bola e pressionante apenas q.b. quando oferecia a iniciativa ao adversário.

O Paços só aproveitou o momento de relax do FC Porto algures a 10 minutos do fim da 1.ª parte, a acelerar ligeiramente o ritmo e a mostrar a qualidade que lhe é reconhecida aos 34’, numa jogada de entendimento a galgar a passadeira deixada pelos dragões no corredor central, com João Amaral a rematar muito perto do poste esquerdo de Diogo Costa.

Com Felipe Anderson mais uma vez a desaproveitar a oportunidade de Sérgio Conceição - embora, diga-se, a bola chegou muito poucas vezes jogável ao brasileiro - a troca com Otávio mudaria a cara do FC Porto. Com a leveza de maestro, Otávio pautou o jogo com a segurança habitual, sem fogos de artifício nem espalhafatos, mas com a precisão de roda dentada. Otávio ligou finalmente o jogo do FC Porto, que conseguiu logo boas oportunidades no reatar da partida, primeiro com um grande remate rasteiro fora da área de Uribe e depois com Jordi a negar aquilo que seria um belo golo, ao cortar um passe de calcanhar de Díaz para um isolado Toni Martinez.

ESTELA SILVA/LUSA

O espanhol esteve mais uma vez descalibrado com a baliza, enviando uma bola à trave aos 63’ após um lançamento lateral do FC Porto. Um lance que não foi por acaso: minutos depois, novo lançamento lateral para a área, Jordi afastou mal e Malang Sarr rematou forte na ressaca, fazendo um golo que o FC Porto já justificava. Aos 80’, Luis Díaz aumentou a vantagem e, face à pouca ou nenhuma réplica do Paços na 2.ª parte, a eliminatória parecia arrumada.

Acontece que Adriano Castanheira não estava para aí virado e logo na reposição deu uso ao seu pé esquerdo para reduzir para 2-1, num remate cheio de efeito que enganou Diogo Costa. E só aí apareceu o Paços, aquele Paços que ainda há um par de meses bateu o FC Porto para o campeonato. Nos últimos 10 minutos, a equipa da casa sofreu. Pelo meio, Otávio tentou um golo maradoniano em que só faltou o remate final, o laçarote, que seria uma espécie de ponto de exclamação numa exibição essencial. Mas a verdade é que o FC Porto acabou o jogo com as mãos na cabeça, depois de Eustáquio enviar um cabeceamento ao ferro já dentro dos descontos.

A bola não encontrou e o FC Porto está mesmo na final four da Taça da Liga, o que não é um presente de Natal nada de se deitar fora, mas talvez mais importante fosse ter a renovação de Otávio no sapatinho.