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FC Porto

Ter ou não ter Taremi, eis a não-questão

Provocou o penálti que originou o primeiro, assistiu para o segundo e jogou como a unidade de produção de futebol simples, fácil, criterioso e bem decidido. Mehdi Taremi esteve no FC Porto que ganhou (2-0) ao Nacional da Madeira e evidenciou os motivos para se ver mais do iraniano nos próximos tempos

Diogo Pombo

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Taremi corre pulando, reparem, cada passo dado e em trampolim, parece personificar uma gazela com a perna longa e o peito feito, a estampa do iraniano não é discreta embora possa passar despercebida por ser como e. Pesquise-se, google-se e pergunte-se, não há voz publicada que se encontre a dizer muito diferente de Taremi ser pacato e simpático, dedicado e introvertido, esforçado e ambicioso.

Ou "incrível, pedia sempre mais”, estas disse-as quem com o iraniano trabalhou durante anos no Irão, a trabalhar-lhe o físico, digam o que quiserem mas fisicamente mal não há quem renda e jogue sem entraves a técnica, vejam Taremi, e titular pelo terceiro jogo em seis possíveis de dezembro e joga como quem mostra que deveria tê-lo sido mais vezes.

Dos experimentados, durante épocas, para acompanhar o predador da pradaria que e Marega - sempre na equipa para se atirar as diagonais e a profundidade -, Taremi e a simplicidade caminhante no relvado. Ele afasta-se da área para ser a opção de passe frontal, ele participa em jogadas tocando uma vez de cada vez na bola, ele fixa marcações para libertar gente que o rodeia.

O iraniano e um avançado pouco vistoso no que as modernices dos tempos popularizaram, não e circense a driblar, não da toquezinhos bonitos só porque sim, não pega na bola e vai contra o mundo, mas dá nas vistas na engrenagem que faz uma equipa carburar - na simplicidade. Ou no critério. E já agora, na aptidão para executar bem o que pensa bem.

O FC Porto dele beneficia e com ele funciona contra o Nacional, que define a linha defensiva longe da baliza para compactar o bloco bem além da área, e arriscado por haver Marega para lidar, mas prova-se fatal não tanto pelo maliano. O 1-0 da bola atacada e ganha pelo reativo Taremi, que provoca o penálti batido por Sérgio Oliveira; o 2-0 picado por Marega vêm da bola redirecionada, ao primeiro toque, pelo iraniano que a amansou com um propósito (vinha forte e descontrolada lá detrás, cortada por Diogo Leite).

As duas chegadas frutíferas da equipa a área, finalizados ou para o serem, têm muito de Taremi, aliás acontecem devido ao seu critério e, fora estas, vê-se apenas um estouro de remate de Sérgio Oliveira, sem a bola bater na relva à entrada da área.

Do Nacional notam-se os mecanismos para sair da pressão de trás pela relva, em ligações curtas, com a insistência que muitas vezes os trama: olharem muito para perto fê-los perderem hipóteses de acelerar com bolas mais diretas, no espaço disponível; e, quando superaram a primeira pressão, quererem tanta progressão com bola no pé deu tempo a reação forte do FC Porto para cortar transições a segunda ou a terceira tentativa.

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Lá no meio sempre houve, também, os recuos de Taremi para fechar caminhos na linhas dos médios, a par com Uribe e Otávio, atentando as coisas que talvez subliminares estavam em todas as vezes que Sérgio Conceição respondeu a coisas sobre ele e pelo trabalho, pela provação e pela habituação necessárias para entrar na equipa quem for, ou quem seja novo por lá.

Aos poucos, eis Taremi a mostrar o quão benéfico pode ser para o bem coletivo do FC Porto que amolece na segunda parte. A agressividade sem bola não é a mesma, são mais reativos do que ativos a condicionar os adversários quando é preciso defendê-los e a bola que trocam rola tal como o treinador acha que eles não sabem fazer rolar.

Que e rolar para tentar pausar o jogo e controlá-lo “de forma mais passiva”, resfriando o ritmo e dando vazão a passes para ser ela a correr e os adversários a persegui-la. Porventura Sérgio esbracejou por isso, abanou a cabeça virado para o banco, fez cara de desamigo com a ausência de oportunidades construídas e a veleidade concedida ao Nacional.

Os madeirenses tocaram mais na bola, Alhassan juntava-se aos centrais para gerar saídas e os metros percorridos pelas sua jogadas alargavam-se, quase que dava para ameaçarem a área, mas nunca lá chegaram, pareciam ter como regra não acelerar certa velocidade de circulação de bola e mesmo salvando a bola de certos, raramente desequilibraram o bloco do FC Porto.

Só nos derradeiros 10 minutos se reviu intensidade de movimentos, passes rasgados e pressão a começar nas áreas, foi necessária a iminência do fim para o Nacional se altivar sem bola como equipa que, de facto, está a perder. Acercou-se mais da área e o FC Porto acionou-se, também de novo, com essa exigência e, por Toni Martínez, voltaria a rematar (ao lado) como Taremi fizera antes de lhe dar lugar.

Ganhou o FC Porto e nunca pareceu não vir a ganhar, a equipa dominou mesmo quando não controlou as coisas, foi eficaz cedo no jogo e, arrelias gestuais do treinador à parte, tudo lhe correu bem a não, também, as lesões de Otávio e Corona, retirados do jogo com maleitas no corpo que juntam à de Pepe - e vão três futebolistas nucleares e dos mais influentes no FC Porto com tempos indeterminados longe da equipa. Isso nunca lhes será bom.

Mas, em simultâneo, há Taremi, parece haver cada vez mais Taremi. E como o iraniano demonstrou mais uma vez, tudo aponta que haverá muito mais.