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As horas extraordinárias (que podem sair caras)

O FC Porto precisou de ir a prolongamento para vencer o Nacional por 4-2 e assim chegar aos quartos de final da Taça de Portugal. Trinta minutos a mais que os dragões dispensariam: daqui a três dias há clássico com o Benfica

Lídia Paralta Gomes

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

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O futebol é uma das atividades em que fazer horas extraordinárias é quase sempre mau sinal. Para já, porque não se recebe mais por isso. Depois, porque quer dizer que não se tratou do trabalho em tempo devido. É claro que uma vitória ameniza o tempo extra que se gastou e deste encontro com o Nacional é isso mesmo que o FC Porto leva: uma vitória, uma presença nos quartos de final da Taça de Portugal, um objetivo que se mantém, assim, em cima da mesa.

São boas notícias para o FC Porto, claro, mas tal como as vitórias do rei Pirro de Epiro, também esta poderá ter os seus custos, que os dragões dispensariam a três dias de defrontarem o Benfica para a liga e a um quarto de oceano de distância de casa.

Para chegar ao 4-2, o FC Porto precisou de 120 minutos, mais 30 que o normal - e durante uma razoável quantidade de tempo a jogar com mais um - e como o jogo se complicou na Madeira nem por isso houve descanso para os jogadores mais importantes. Tudo isto num encontro em que a equipa de Sérgio Conceição teve mais do que oportunidades para resolver rapidamente o jogo e só a falta de eficácia justifica que o final de tarde no Funchal tenha acabado em after.

Nada que fosse de esperar até porque o FC Porto começou por cima e aos 22’ já ganhava com um golo de Luis Díaz, numa imitação bastante decente de Arjen Robben, numa altura em que os detentores da Taça já tinham chegado por várias vezes com perigo à área do Nacional. Parecia encaminhado.

Acontece que três minutos depois, na primeira vez que chegou ao meio campo adversário, o Nacional marcou, um bom golo de Rochez, que trabalhou com minúcia na área depois de um cruzamento de Riascos. Um golo que, no entanto, não mudaria a dinâmica do jogo: FC Porto com bola, a conseguir rapidamente entrar em zonas de perigo na área do Nacional, mas a desperdiçar. Aos 30’ Diogo Leite enviou um míssil à barra e quatro minutos depois Luis Díaz esteve perto de bisar, após um bom entendimento com Corona.

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Após o intervalo, a mesma história, mas foi o Nacional a marcar, aos 62’, num remate forte de Riascos ao qual praticamente se seguiu a expulsão do central Rui Correia, que obrigou o Nacional a praticamente desistir do ataque. Ainda assim, com uma equipa solidária, os madeirenses aguentaram a vantagem até aos 88’. Já depois de uma série de lances de perigo do FC Porto, seria Evanilson, nano-segundos após entrar, no primeiro toque na bola, a empatar o jogo.

O prolongamento trouxe praticamente só FC Porto. Evanilson e Pepe estiveram perto de marcar logo no início do tempo extra, com o guarda-redes italiano Piscitelli a apagar diversos fogos - como já tinha feito no tempo regulamentar, aliás. Não deu para apagar o olho perspicaz de Otávio aos 101', a encontrar Sérgio Oliveira livre num canto, com o capitão a responder com um remate cruzado e colocado. Taremi, aos 115’, ainda foi a tempo de fazer o 4-2, num jogo que não terminaria sem mais uma incidência, uma grande penalidade para o Nacional que o luxemburguês Thill não conseguiu concretizar.

O espectáculo, diga-se, foi bom. Houve golos, voltas e reviravoltas, incerteza, alguma emoção. Mas no mundo dos pragmáticos, e Sérgio Conceição é um deles quando o assunto é futebol, provavelmente uma vitória tranquila em 90 minutos seria uma melhor notícia, a tão poucas horas de um dos jogos mais importantes da época. Há horas extraordinárias que podem sair caras, mas isso só na sexta-feira se poderá provar.