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Sai um Evanilson para acalmar os nervos

FC Porto marcou, dominou mas baixou o ritmo na segunda parte e viu o Rio Ave assustar e só o golo de Evanilson aos 74 minutos descansou os dragões que venceram os vilacondenses por 2-0 e podem agora beneficiar do resultado que sair do dérbi de Lisboa. Com contributo decisivo de Taremi, que deu seguimento à boa época frente à antiga equipa com envolvimento direto nos dois tentos e sempre muita qualidade

Tiago Oliveira

Evanilson fez o golo da tranquilidade do FC Porto

Getty Images

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Um minuto. É o que basta para mudar uma vida ou, para não ser tão dramático, um jogo de futebol. Um minuto é muitas vezes o que separa o sucesso do insucesso e não fosse a defesa atenta de Marchesín aos 74 minutos para, no contra-ataque seguinte, Taremi oferecer o 2-0 a Evanilson e a história deste jogo poderia ter tomado um rumo diferente. Não tomou, para infortúnio do Rio Ave e felicidade do FC Porto, que garantiu uma vitória muito importante que permite aproveitar o que quer que saia do Sporting - Benfica de hoje.

Foi um jogo controlado pelos dragões que estiveram sempre por cima do encontro, apesar da réplica que os visitantes tentaram dar a espaços, sobretudo na segunda parte, no relvado do Dragão. A equipa de Vila de Conde apresentava um novo (velho) nome no banco, Miguel Cardoso, e no regresso ao leme de uma casa que conhece bem, o objetivo passa por serenar os processos de uma equipa que continua a carburar abaixo das suas capacidades.

Do lado do FC Porto, Sérgio Conceição apresentou um onze com três novidades relativamente à vitória frente ao Gil Vicente na Taça de Portugal. Marchesín, Sérgio Oliveira e Marega voltaram a reclamar os seus lugares entre os titulares e ajudaram a dar forma ao figurino habitual da equipa que desde cedo tentou resolver o jogo.

Perante um Rio Ave ainda a assimilar as ideias de posse e pressão alta que são a imagem de marca do seu técnico, o futebol mais vertical dos azuis e brancos desde cedo colocou a defesa adversário em sentido e em perigo. Com um binómio, regra geral, a aparecer: Luís Díaz e Mehdi Taremi. Se não era um, era o outro, e coube ao colombiano desperdiçar a primeira grande oportunidade de golo, logo aos 4 minutos, após uma cruzamento de Marega pela direita. Com tudo para fazer golo, o extremo tentou tanto colocar a bola que acabou por colocar fora e poupar assim os vilacondenses a um tento madrugador.

À festa do desperdício também se juntou Corona, que contornou o guardião Kieszek aos 6 minutos mas depois acabou por opta por um misto entre remate e cruzamento que acabou com o perigo. Só por uma vez o Rio Ave conseguiu sair deste espartilho ao longo da primeira parte, por intermédio do incontornável Gelson Dala, mas o guarda-redes argentino do FC Porto mostrou-se atento e impediu o avançado de o contornar, após um erro de Mbemba.

Os dragões não tiravam o pé do acelerador e, no canto resultante, bom contra-ataque de pé para pé que acabou com Marega a colocar mal o pé na bola quando tinha tudo para fazer melhor. Este podia ser, aliás, o resumo da exibição do avançado maliano, que foi claramente o elemento menos do ataque do FC Porto e foi, sem surpresa, o primeiro jogador a ser substituído.

Descansar

Aos 27 minutos, Luis Diaz (em posição duvidosa) desperdiça isolado, com ajuda de uma grande defesa de Kieszek, e perdia mais uma oportunidade de se adiantar no marcador, o que aconteceu quando já nada o fazia prever no final da primeira parte. Segundos depois de Marega voltar a decidir mal uma jogada, Zaidu, sempre muito ativo - para o bem e para o mal - subiu pela esquerda e cruzou para a grande área onde apareceu o peito de Luis Díaz a amortecer a bola que sobra para a entrada de rompante de Taremi. O iraniano remata e permite a defesa de Kieszek que, no entanto, foi impotente para impedir a recarga de Díaz. Vantagem que esteve em risco de ser ampliada, não fosse um grande corte em carrinho de Borevkovic ter impedido Taremi de tentar a sua sorte.

Com a contabilidade pouco simpática de zero remates durante os primeiros 45 minutos, o Rio Ave regressou para a segunda parte com Geraldes no onze e vontade de mostrar outra audácia ofensiva. O remate surgiu logo nos primeiros minutos e os visitantes foram lentamente subindo no terreno com ajuda do baixar de ritmo por parte do FC Porto, que deixou de se mostrar tão ativo no ataque. Os vilacondenses estiveram próximos do empate aos 57 minutos, quando um cabeceamento de Ronan bateu em Mbemba e passou lentamente perto do poste direito da baliza azul e branca e, após Marega voltar a acumular um erro não forçado, Sérgio Conceição mexeu na equipa e promoveu a entrada de Evanilson. Não se arrependeria.

O golo da tranquilidade chegou, se bem se recorda do início desta crónica, logo depois de um remate perigoso de Gelson Dala e deve a sua existência ao grande trabalho de Taremi. O iraniano recuperou uma bola aparentemente perdida com um carrinho, continou a acreditar após um ressalto e ainda chegou à bola antes do guarda-redes para cruzar para atrás onde Evanilson apareceu, oportuno, para fazer balançar as redes do Rio Ave e acalmar os nervos do banco e adeptos portistas.

Com o 2-0 feito aos 74 minutos, os vilacondenses perderam o pouco oxigénio que ainda tinham e o FC Porto aproveitou para gerir o jogo e o plantel, deixando os minutos correr sem grandes sobressaltos aaté aos 90. No final, vitória importante para os dragões dá início a um ciclo infernal de jogos em Fevereiro e permite ver o que os rivais de Lisboa fazem no dérbi com maior descanso.