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"Sou Sérgio Conceição, não sou Sérgio Comichão. Isto é uma maratona e no final fazemos as contas. O Sporting está a ter mérito"

Na conferência de imprensa de antevisão do BSAD-FC Porto (quinta-feira, 19h, SportTV), Sérgio Conceição voltou a criticar a calendarização e desvalorizou o atraso pontual do Benfica, dizendo que a luta pelo título faz-se a quatro: Sporting, FC Porto, Benfica e Braga

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MIGUEL RIOPA/Getty

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Antevisão

"É um jogo difícil. O campo é um 'pormaior', porque o Jamor não me parece em bom estado, é um relvado muito difícil. O Belenenses é uma equipa que no seu processo defensivo é das melhores da Liga. E depois há a proximidade dos jogos e há algum desgaste físico por parte dos jogadores. Temos de olhar para isso tudo e formar o melhor onze para ganhar o jogo."

Manter a distância de quatro pontos para o Sporting até ao clássico

"Não olhamos para as coisas dessa forma. Olhamos para todos os jogos para ganhar. Corremos atrás de uma desvantagem que temos em relação ao 1.º classificado mas não olhamos para esse jogo frente ao Sporting, seria um erro porque nos esquecíamos dos outros jogos até lá."

A corrida ao título é agora a dois, com o Benfica já fora?

"Dois? Eu e o Rui [Cerqueira, diretor de comunicação do FC Porto] estamos aqui a lutar os dois... [risos] Sinceramente não embarco nessa teoria. O jogo falado é grande. Os campeonatos passados são a prova que não há ninguém que fique arredado a 7, 9 ou 10 pontos. Existem quatro equipas, mais duas, que são o Paços e o Vitória, que se estão a aproximar de forma muito interessante. Há quatro, incluindo o Braga, que lutam pelo campeonato e não vejo nada diferente nesta altura."

Taremi mais barato do que Paulinho

"[risos] O que posso dizer é que estamos contentes com Taremi, Evanilson, Marega e Toni. É verdade que uns jogam mais do que outros, mas isso faz parte do futebol, dos ciclos de uma época desportiva. Estou muito contente com os quatro, a bom nível nos treinos e com competitividade."

BSAD sofre poucos golos

"É interessante a pergunta. Cada jogo tem a sua estratégia, olhando para o que temos de fazer para desmontar a boa organização defensiva do adversário. O Belenenses defende bem, fecha bem, mas também não deixa de fazer golos. Contra o Sporting esteve perto de ganhar pontos e contra o Braga ganhou o jogo. São capazes de serem perigosos quando atacam, exploram a profundidade com facilidade. Conhecemos o que vamos encontrar. Sabemos para onde queremos levar o jogo."

Balanço da 1.ª volta

"O final do ano passado desportivo, mas também o ano civil, e o início desde tem sido completamente atípico, sem público e com uma calendarização diferente, em que tudo se acumula. Os jogadores tiveram só três semanas de férias e começámos logo a competir. A situação da pandemia, com muitos jogos, influencia a equipa, a convocatória, a estratégia. Houve jogos que no dia anterior tivemos de corrigir porque havia jogadores infetados. Não começámos bem a época, sem consistência, mas com o tempo entrámos na linha, nos eixos. Mas não me quero desculpar, tínhamos todas as condições para ganhar ao Paços e ao Marítimo, eram seis pontos que nos dariam o primeiro lugar. Também houve a natural adaptação dos jogadores que chegaram, o Taremi, o Evanilson... Há aqui exigência diária que todos têm de compreender e não é fácil de incutir este estado de espírito. Tem corrido bem e acho que o grupo agora está completamente adaptado à equipa técnica e à dimensão do clube."

Queixas sobre a calendarização

"Tem a ver com as competições que poderiam ter datas diferentes. Mas isso é uma conversa que tem de se ter no início da época para haver uma boa calendarização. Se não depois queremos bons espectáculos de futebol, com os melhores jogadores em campo, e não é possível. Em Belém vou ter obrigatoriamente de mudar porque há jogadores com uma carga grande em cima. Entre um jogador com fadiga e um que as pessoas pensem que tem menos qualidade, se calhar é preferível esse jogador fresco do que um extremamente cansado. Não podemos deixar de olhar para aquilo que vão ser as próximas semanas e a densidade competitiva que aí vem. Temos de ver quem está em melhores condições para definirmos a melhor estratégia.

Má exibição de Marega frente ao Rio Ave

"Acho que isso nem é tema. Quantas vezes eu como treinador não meti a pata na poça? Quantas vezes há jogadores que não têm exibições de acordo com as expectativas? O Marega foi tantas vezes decisivo na nossa equipa... Durante estes três anos tem sido um bicho competitivo. Para mim não é tema nenhum."

Não sofrer golos

"A importância de não sofrer golos é grande, é a base para se ganharem jogos, sermos sólidos em termos defensivos. É um desporto simples: é marcar e não sofrer. O não sofrer é tão importante como marcar. Até treinadores que passaram por esta casa, como o Vítor Pereira, em entrevista à RTP, a dizer que eu tenho um ADN do FC Porto, mas sou um treinador defensivo... É tão básico e fica-lhe tão mal dizer isto. Estou a dizer aqui porque não tive oportunidade de estar com ele, se não dizia-lhe na cara que não gosto. Fomos a equipa nestes três anos que fez mais golos no campeonato, exceto no segundo ano. Apelidaram-nos de rolo compressor no primeiro ano. Uma boa organização defensiva é a base para termos sucesso em termos ofensivos, onde se defende, como se defende, se mais alto ou mais baixo. Contra o Rio Ave viram-nos a pressionar de forma um bocadinho diferente, porque sabíamos como o Miguel Cardoso gosta de sair a jogar, sabíamos que o Aderlan Santos tem dificuldades em construção e roubámos a bola ali. Isto é trabalho e essa boa consistência defensiva permitiu roubar bolas e criar oportunidades de golo. Somos a equipa em Portugal nos últimos três anos que a maior parte das bolas que rouba é no meio-campo ofensivo. Isso não é ser defensivo, é trabalhar bem defensivamente, que é diferente."

Distância para o 1.º lugar e a "estrelinha" do Sporting

"Sou Sérgio Conceição, não sou Sérgio Comichão [risos], outras coisas dão-me comichão, isso não. Os adversários estão a ganhar. Isto é uma maratona e no final fazemos as contas. O Sporting está a ter mérito, nós estamos a ganhar os nossos jogos, estamos no trajeto, o importante é manter esta cadência e conseguir o máximo de pontos possíveis. Em três anos fui duas vezes campeão, e só não fui num ano sabe Deus e sabem algumas pessoas porquê. Isso da estrela é para quem trabalha e para quem é competente, o Sporting foi competente, está a ganhar os seus jogos. Não fomos tão competentes no início da época, agora temos de ir atrás da estrela. Ela está lá, é preciso ir buscá-la."