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FC Porto

Champions e vendas de jogadores dão lucro de €34 milhões ao FC Porto (mas a situação patrimonial continua negativa)

Ativo da SAD do FCP cresce na primeira parte da época e compensa agravamento do passivo

Diogo Cavaleiro

Mark Leech/Offside

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A participação na Liga dos Campeões e as transações com os passes dos jogadores tiraram a SAD do Futebol Clube do Porto da agonia de prejuízos e deram, até, um lucro de 34 milhões de euros no período entre julho e dezembro. No primeiro semestre da época anterior, as perdas tinham sido de €52 milhões. Contudo, a situação patrimonial continua negativa, com uma diferença superior a 100 milhões entre o que a SAD tem e as suas responsabilidades perante terceiros.

Segundo os resultados divulgados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta quarta-feira, 10 de fevereiro, houve uma melhoria dos resultados operacionais sem as vendas de passes de jogadores. Estes proveitos operacionais cresceram 82% para cerca de 95 milhões no primeiro semestre da época, “fundamentalmente devido à participação do FC Porto na edição 2020/2021 da UEFA Champions League” - que tinha sido uma das razões para o desaire das contas no ano passado.

Na próxima semana, dia 17, o Porto enfrenta a Juventus na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Para os proveitos desta primeira fase da época 2020/2021, também contou a melhoria dos rendimentos conseguidos com os direitos de transmissão e distribuição televisiva.

Os custos operacionais da SAD presidida por Jorge Nuno Pinto da Costa entre julho e dezembro de 2020 ficaram-se pelos €76 milhões, ligeiramente acima do primeiro semestre anterior, sobretudo devido ao agravamento de custos com pessoal.

Já os resultados obtidos com passes de jogadores da SAD detida pelo clube sob o comando de Sérgio Conceição, que no primeiro semestre do campeonato passado geraram perdas de 22 milhões, deram agora ao FCP mais de 28 milhões entre julho e dezembro de 2020. A SAD já tinha dito que a venda de jogadores seria uma forma de melhorar a situação do clube, já que, antes, o próprio clube tinha posto um travão às vendas no campeonato anterior e, depois, deu-se o adiamento do mercado de transferências devido à pandemia.

Património menos negativo

Assim, chega-se a um resultado líquido positivo num semestre em que também a situação patrimonial do FCP melhorou – mas não ao ponto de compensar o impacto dos prejuízos anuais da época anterior.

O ativo da SAD - o que realmente detém, como valor dos atletas ou bens e património - cresceu de 300 milhões, em junho, para 380 milhões de euros, em dezembro. Aqui, o crescimento dos valores que o clube presidido por Jorge Nuno Pinto da Costa tem a receber de clientes e o aumento do montante que o FCP tem no banco justificam a melhoria.

Já o passivo - responsabilidades perante terceiros - cresceu 40 milhões para 497 milhões de euros, num agravamento que se deve aos empréstimos obtidos pela SAD.

Como o avanço do passivo foi inferior ao aumento do ativo, o capital próprio tornou-se menos negativo, baixando dos 151 milhões negativos mas estando ainda em 117 milhões negativos.