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Filho de Conceição sabe mexer

Francisco Conceição voltou a entrar, voltou a mexer e voltou a ser decisivo em mais um jogo do FC Porto. O filho de Sérgio Conceição agitou e sofreu o penálti já em período de compensação que deu a vitória por 2-1 frente a um Marítimo que apesar de ter passado a maior parte do jogo a defender, pode pensar o que teria acontecido se o poste e Marchesín não tivessem impedido golos quase certos

Tiago Oliveira

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Agora o abraço valeu. Se contra o Boavista a reviravolta operada pela entrada de Francisco Conceição, e o festejo emotivo com o pai treinador, foram (bem) negados pelo VAR, desta vez o irrequieto extremo garantiu mesmo a vitória do FC Porto no último suspiro do encontro com o Marítimo, ao conquistar um penálti que revelou imprudência de Rúben Macedo e permitiu aos dragões manterem a perseguição ao Sporting antes de receberem os leões no Dragão na próxima jornada.

A vitória por 2-1 foi sofrida, difícil e mostrou um FC Porto que nem sempre revelou claridade perante a muralha defensiva erguida por um adversário que vinha de cinco derrotas consecutivas para o campeonato e tentou fazer tudo para segurar os dragões. E, provavelmente, teria não só conseguido como até obtido melhor que o empate se Marchesín e o poste não se tivessem revelado opositores intrasponíveis em dois minutos absolutamente frenéticos.

Após três empates consecutivos, os azuis e brancos viram o fosso para o primeiro lugar ocupado pelo Sporting alargar-se para dez pontos e a vitória hoje afigurava-se como essencial para manter ainda alguma aspiração a atingir revalidação do título. Com Otávio condicionado (mas não fora de combate, como já vamos ver daqui a alguns parágrafos) Luis Díaz foi a única alteração apresentada por Sérgio Conceição relativamente ao onze que tinha vencido a Juventus para a Liga dos Campeões e o FC Porto tentou apresentar a mesma receita de sempre para regressar às vitórias.

Do lado do Marítimo, podemos falar de uma revolução que viu sete caras novas a entrarem num onze onde desde cedo se viu que defender era a primeira prioridade, seguida de tentar explorar o contra-ataque quando possível. Defensiva compacta que se previa difícil desfeitear e que mais difícil seria quanto mais os minutos corressem. Se marcar cedo era o que o FC Porto queria, marcar cedo foi o que o FC Porto conseguiu, ao colocar-se em vantagem aos 15 minutos, Foi preciso uma bola parada, confusão na grande área, e uma série de carambolas a fazer lembrar um jogo de matraquilhos que levaram a bola (por esta ordem) de Corona para Uribe, depois para Taremi e de volta para o colombiano que rematou com Léo Andrade ainda a desviar a bola de cabeça para o fundo das redes.

Desvio infeliz do defesa que, talvez mais depressa do que pensasse, teve oportunidade de retificar e não a desperdiçou. Porque se a vantagem dos visitantes chegou cedo, o empate dos anfitriões também não se fez esperar. Quatro minutos volvidos, Léo Andrade aproveitou um lance bem delineado a partir de um canto para surgir solto na cara de Marchesín e fazer o 1-1 que, inicialmente, o árbitro anulou. Só que da Cidade do Futebol surgiu a indicação que Marega estava colocar em jogo o defesa, o golo foi dado e o empate restabelecido.

Tudo de regresso à estaca zero, com o FC Porto a atacar sem grande imaginação ou capacidade de desmontar a linha defensiva maritimista e os madeirenses a aventurarem-se poucas vezes fora do seu meio-campo. Com muitas faltas, muitas paragens e muito poucas oportunidades de golo - exceção feita a um desvio de cabeça de Zaidu e a uma recarga de Taremi que Amir respondeu com segurança - o desafio arrastou-se sem nota artística até ao final da primeira parte.

Poste e reflexos

No início do segundo tempo, nenhumas alterações, quer a partir do banco quer no terreno do jogo onde a toada manteve-se inalterada. Com a diferença que ao domínio do FC Porto e ao desgaste acumulado, o Marítimo mostrava-se mais capaz de chegar à baliza contrária. Coube, aliás, a Joel Tagueu a primeira oportunidade ao rematar à figura do guarda-redes azul e branco aos 48 minutos, que se viu obrigado de novo a intervir com dificuldade ao ter que afastar para canto um remate traiçoeiro de Correa.

Pelo meio, Luis Díaz fez uso da sua jogada tipo ao fletir para meio e rematar em arco para defesa de Amir mas os dragões monstravam-se algo incapazes de criar perigo iminente junto da baliza do Marítimo. As águas só se começaram a agitar mais com as entradsa de Otávio e (sobretudo) de Francisco Conceição que mexeu com a equipa e com as marcações adversárias. Ainda assim os anfitriões não só se mostravam seguros como inclusivamente foram a equipa que estiveram mais próxima de chegar à vantagem.

Ora tente acompanhar. Aos 83 minutos, Ali Alipour correu quase meio-campo até perder no duelo com Marchesín e, no canto que se seguiu, a tão falada estrelinha do campeonato apareceu junto da baliza do FC Porto. Primeiro, com um cabeceamento fulminante de Zainadine que esbarrrou no poste e no braço estendido de Marchesín, que depois ainda teve agilidade e reflexos para impedir o bis que parecia certo de Léo Andrade.

Foi a bóia salva-vidas que o FC Porto aproveitou para fazer um último esforço em busca da vitória e que acabou por ser recompensado com um penálti sofrido por Francisco Conceição já em período de compensação. Lance imprudente de Rúben Macedo que foi negligente nas costas do extremo, com Vítor Ferreira a não ter dúvidas em apontar para a marca de grande penalidade. Ainda houve espaço para alguma confusão na decisão sobre quem marcava o penálti mas Taremi acabou por ceder o lugar a Otávio que rematou para a vitória importante do FC Porto e que lança os dragões para aquele que poder ser o jogo do título com o Sporting. Com Francisco Conceição a continuar a dar que falar.