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Sérgio Conceição: "O meu filho vive na mesma casa que eu. Não tem carta, mas vem para o treino por ele. De táxi ou com os irmãos"

Na conferência de antevisão do jogo de sábado com o Sporting (20h30, Sport TV1), o treinador do FC Porto sublinhou que o filho tem condições para jogar os 90 minutos, mas que no Olival é treinador e não pai. Deixou ainda elogios à competência e trabalho do Sporting e assumiu a importância de um jogo que, em caso de vitória do rival, deixa os dragões a 13 pontos da frente

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MIGUEL RIOPA/Getty

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Importância do Clássico

“Mais um jogo é, de certeza, em 34 é o próximo. Mas é um jogo em que podemos ganhar três pontos e não deixar que um rival que está a lutar pelo mesmo objetivo o ganhe, tem essa importância. À medida que vamos caminhando para o final os jogos ganham o seu peso e importância. Assumimos o peso e a responsabilidade deste jogo”

Travar o Sporting

“Depende da forma como cada um vê o futebol. Todos nós somos treinadores, falo do público em geral, os comentadores, jornalistas, todos vemos o futebol à nossa maneira. Eu já disse muitas vezes que o futebol é simples: é não sofrer. E nisso o Sporting tem sido muito eficaz, é a melhor defesa. E é marcar. Obviamente que se não se sofrer e se marcar atinge-se uma perfeição e uma consistência que é aquilo que os treinadores querem. Nós somos o melhor ataque mas temos sofrido mais do que o habitual. O Sporting é uma equipa bastante pragmática, que sabe aquilo que quer na simplicidade do seu jogo. É um jogo difícil para os adversários. Tudo o que seja largura e profundidade na dinâmica ofensiva cria dificuldade ao adversário se este não for competente a defender. E depois é uma equipa que defende com muita gente porque os jogadores do Sporting estão conscientes que para se ganhar jogos é preciso defender. As melhores equipas do mundo tanto encaram o jogo de uma forma muito vertical como sabem pausar os jogos. Hoje em dia… isto começou tudo como o tiki-taka do Barcelona do Guardiola há uns anos e há muita gente que acha que isso é o que se deve utilizar mesmo não tendo jogadores para essas características e às vezes a simplicidade é o mais difícil de executar no futebol e o mais difícil de defender. É fácil olhar para a equipa do Sporting e desmontar a forma como jogam, mas se não formos competentes é difícil de contrariar”

Pode ser viragem, tal como há um ano com o Benfica?

“No trabalho mais emocional que eu tenho no balneário acho que não é necessário falar do passado num jogo destes e lembrar que houve jogos que no passado recente em que ganhámos ao rival e depois aconteceu isto ou aquilo. Temos de nos focar muito nas nossas tarefas, na estratégia definida para o jogo”

Maior pressão?

“Nós estamos habituados a jogar na Liga dos Campeões, jogos que definem se passamos ou não, finais, jogos a eliminar. A pressão é a pressão de se representar um clube como o FC Porto e que está presente aqui todos os dias. Mas é uma pressão boa, é uma pressão que nós gostamos, sabemos utilizá-la”

Críticas do Sporting aos penáltis do FC Porto

“Ontem, quando saí do Olival, estava com o nosso fisiologista, e ele estava a dizer que tínhamos de falar num aspecto importante: nós temos os dados dos jogadores em cada jogo, velocidade, intensidade, esse parâmetros. Ele disse-me que a partir do golo do Marítimo a distância percorrida desceu de uma forma bruta. E isto está associado ao tempo útil de jogo. Não quer dizer que o Marítimo tenha feito anti-jogo. Eles estavam preparados para o nosso jogo. Mas a partir do momento em que os adversários estão no momento positivo de jogo… Ainda ontem o André Horta disse que enquanto não mudarmos a mentalidade em Portugal fica difícil. Eu já ando a dizer isso há uns tempos. Tive várias reuniões na UEFA e um dos temas que mais se debate é o tempo útil de jogo. E nós estamos na cauda. Na Europa encontramos adversários acima da média, com uma intensidade de jogo enorme. Temos de perceber todos que temos de melhorar. Nisso dos penaltis: nós na meia-final contra o Sporting na Taça da Liga tivemos quatro faltas ofensivas, porque os jogadores do Sporting caíram na área, gritaram e o árbitro marcou falta ao nosso avançado. Já que o Sporting está preocupado com os pénaltis, nós também estamos preocupados com os gritos. Há um conjunto de situações que o futebol português pode debater para que se melhore. Não é olhar só para a polémica momentânea, isso é encher chouriços”

Francisco Conceição pronto para a titularidade?

“Está, porque é que não há de estar? Faz parte do grupo de trabalho, quando eu achar que é o momento certo de utilizar um determinado jogador a titular, utilizo. Se eu achar que deve estar no banco, na bancada ou em casa, fica. O meu filho vive na mesma casa que eu. Ele ainda não tem carta e vem para o treino por ele. De taxi, com os irmãos. Eu trouxe-o uma vez, mas deixei-o lá em cima e ele ficou com uma azia dos diabos. Porque eu entro aqui no Olival é como treinador do FC Porto, não é como pai do Francisco ou do Rodrigo. Mas está preparado para 90 minutos. A 2.ª Liga é muito competitiva”

Semelhanças com o filho

“A atitude, a forma apaixonada como vê o futebol, mas de resto penso que não tem muito a ver comigo”

FC Porto com mais jogos nas pernas

“É um fator importante, essa sobrecarga. Há uma densidade competitiva acima da média. Nós fizemos cinco jogos em quinze dias. Num ou noutro jogo pode explicar alguma falta frescura da nossa equipa. Mas é bom ter essa densidade, quer dizer que estamos em todas as frentes. O Sporting saiu cedo da Liga Europa e da Taça de Portugal, tem mais tempo, mas isso por si só não justifica a competência e o bom trabalho que o Ruben e os seus jogadores têm feito. Há ali trabalho e competência”