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FC Porto

FC Porto tem mais de €100 milhões para devolver a adeptos e bancos nos próximos seis meses

Há créditos antigos do BES à SAD do FCP a chegar ao vencimento este mês. E duas emissões obrigacionistas por reembolsar ao mesmo tempo

Diogo Cavaleiro

MANUEL DE ALMEIDA

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A SAD do Futebol Clube do Porto terá, nos próximos seis meses, de devolver mais de 100 milhões de euros não só a bancos, entre os quais o Novo Banco, mas também a investidores, entre os quais adeptos.

Com o adiamento por um ano do vencimento da emissão obrigacionista que terminava em 2020, dá-se, no próximo mês de junho, o vencimento em simultâneo de duas emissões de obrigações colocadas em investidores (a de 2017 e a de 2018). São 70 milhões de euros que o Porto tem de devolver ao mesmo tempo. Deveria ser só de 35 milhões, mas o reembolso dos títulos que deveria ocorrer no ano passado foi empurrado para este mês de junho.

A SAD presidida por Pinto da Costa não respondeu à Tribuna Expresso sobre se prevê reembolsar os titulares das duas séries de obrigações ao mesmo tempo ou se, como aconteceu no ano passado, vai proceder a algum adiamento. O objetivo, em 2020, era a realização de uma nova emissão de obrigações, que financiasse o pagamento das que chegariam ao fim nesse ano, mas a pandemia impediu a intenção. Não se sabe qual o plano para 2021.

Além da devolução das obrigações colocadas nos investidores em 2017 e em 2018, há mais dívida da SAD do Porto a chegar ao seu vencimento. Neste caso, é dívida bancária. E já este mês.

Em março, chega ao fim o empréstimo de 8,5 milhões de euros concedido pelo Novo Banco em 2013. Não é o único; em setembro, dá-se o vencimento do empréstimo de 5 milhões de euros, concedido em 2010, em que a garantia passava pelas "receitas relativas a bilhetes de época, bilheteira e quotas dos associados". São créditos antigos, do tempo do BES. Mas há um mais recente, de janeiro de 2019: foram emprestados cerca de 10 milhões de euros, prevendo-se amortizações do capital emprestado ao longo do tempo (os valores a receber da Super Bock são a garantia deste crédito). No final de julho, devem ser amortizados 1,45 milhões de euros pela SAD.

O valor só não é maior porque o Novo Banco recusou. O próprio Pinto da Costa assumiu que, no ano passado, o banco detido pelos americanos da Lone Star rejeitou o financiamento de 2 milhões que tinha sido solicitado para “facilitar o pagamento de ordenados”.

O FC Porto teve de ir pedir dinheiro a um banco alemão. Aliás, de resto, a SAD do clube treinado por Sérgio Conceição, que obteve lucros de 34 milhões de euros nos primeiros seis meses da temporada, tem financiamentos de mais curto prazo obtidos junto do banco alemão Internationales Bankhaus Bodensee AG. São cerca de 24 milhões de euros que vai ter de ir devolvendo, a título de amortização de empréstimos, ao longo dos próximos meses. Os valores a receber da Altice ou de transferências são as garantias destes créditos.

Este é o panorama nos próximos seis meses, de março a setembro. Ao todo, os empréstimos correntes da SAD do FC Porto – para devolução no espaço de um ano a contar de janeiro – representam 145 milhões de euros. A nível não corrente, com reembolso agendado para uma data posterior, há outros 162 milhões de euros, levando esta rubrica de empréstimos (bancários, obrigacionistas, ou outros) a mais de 300 milhões de euros em dezembro de 2020. Em junho, o valor total estava nos 250 milhões de euros.

O facto de o passivo corrente ser superior ao ativo corrente é sublinhado pelo auditor da SAD, a EY, como causador de incerteza. O capital próprio da empresa é de 117 milhões de euros negativos (ou seja, mesmo liquidando e monetizando todos os ativos, ficavam por saldar 117 milhões de euros de responsabilidades).

Todos estes números constam do relatório e contas divulgado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Não foi possível obter uma resposta da SAD do Porto face à dimensão de vencimentos de créditos solicitados nos próximos meses.