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FC Porto

FC Porto: Pacito a pacito, suave, suavezinho

Naturalmente sem pernas e disponibilidade mental para a intensidade do costume, o FC Porto pós-Turim conseguiu ultrapassar o Paços de Ferreira em dois minutos - com os golos dos heróis de Itália. Sacudiu assim o Benfica da sua ilharga e manteve-se na luta, pelo menos, pelo segundo lugar da Liga. Não foi sempre bonito, nem sempre veloz, foi até às vezes aborrecido sobretudo na primeira-parte, mas chegou para a encomenda

Pedro Candeias

Pepe com o sobrolho fechado a celebrar o golo que marcou ao Paços de Ferreira

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Os jogadores do FC Porto que entraram no Dragão eram os mesmos de Turim e ostentavam orgulhosamente as marcas daquele jogo épico, como medalhas depois de uma batalha. Umas eram mais visíveis do que outras, mas nenhumas se notavam tanto como as de Pepe que trazia: o sobrolho fechado por um penso, uma barba de três dias e o penteado pente dois ou três, medidas pouco vistas no central que corta tudo rente - e esta não é uma metáfora futebolística, mas não significa desmazelo: Pepe estava, simplesmente, cansado.

Como estariam todos os outros que com ele defrontaram o Paços de Ferreira, a equipa coqueluche da Liga Portugal cujos últimos resultados e exibições fora de casa não eram animadores: duas derrotas, com o Santa Clara e com o Sporting. Ainda assim, o Paços é um adversário valente e Pepe até prometera jogar com o FC Porto olhos nos olhos no Dragão, uma expressão banalizada, mas muito mais fácil de se dizer do que pôr em prática.

Talvez Pepa estivesse a fazer bluff ou talvez o FC Porto não tenha deixado o mantra pacense fluir. Na primeira-parte, provavelmente, terá sido um misto destas duas ideias, pois o jogo foi - como é que eu hei-de dizer - mau: o Paços fez um remate à baliza, ao minuto 2, por Tanque; e o FC Porto chutou três vezes para fora, tendo Pepe protagonizado o lance que mais se pareceu com uma ocasião de golo, após um livre batido por Sérgio Oliveira.

De resto, o FC Porto pareceu cansado, muito cansado, sem capacidade para pressionar alto e roubar a bola na saída pacense, preferindo manter-se num bloco granítico à procura de deslizes ou da providencial bola parada. A melhor imagem para resumir estes 45’ dos portistas foi o esquema tático mal amanhado entre Otávio e Sérgio Oliveira, que fez um balão para ninguém a instantes do intervalo. Por sua vez, o Paços também não conseguiu melhor do que apenas tentar lançar o desapoiado Tanque para corridas inofensivas.

Na segunda-parte, o jogo melhorou substancialmente de ambos os lados: aos 57’, Mbemba cruzou para o Ferro e, aos 57’, um roubo de bola em zona adiantada de Otávio levou a uma combinação entre Corona e Marega para defesa de Jordi; aos 61’, Bruno Costa cruza para Marcelo que cabeceou para uma defesa extraordinária de Marchesín.

Seguiram-se alguns minutos de rame-rame, cá e lá, de relativo interesse, e Sérgio Conceição foi ao banco buscar frescura, velocidade e ideias frescas - algo que mexesse com o status quo. Saíram, então, Marega e Manafá, entraram Luís Diaz e Francisco Conceição (71’), o FC Porto espevitou e chegou ao golo. Inevitavelmente, aconteceu numa bola parada: canto batido, Pepe pulou, marcou e celebrou a preceito e o momento não podia ser mais simbólico. Bom, na verdade até podia, porque o segundo herói de Turim também chutou para o 2-0, tendo Jordi ficado mal na imagem televisiva.

Em apenas dois minutos, o FC Porto resolveu o jogo, sacudiu o Benfica da sua ilharga e manteve-se na luta, pelo menos, pelo segundo lugar da Liga. Sempre competitivo.