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FC Porto

A tranquilidade do vice só chegou na 2.ª parte

O FC Porto garantiu o 2.º lugar no campeonato com uma vitória por 3-0 frente a um cada vez mais aflito Rio Ave. O jogo só foi, no entanto, resolvido após o intervalo, depois de uma 1.ª parte em que os vilacondenses até foram mais perigosos

Lídia Paralta Gomes

Octavio Passos/Getty

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Às tantas, já perto do intervalo. Gelson Dala dá um nó em Pepe, brinca com os pés, vê a chegada de Carlos Mané e coloca-lhe a bola bem em frente à baliza. Mané, apanhado de surpresa ou deslumbrado, abordou mal o lance e a bola foi rolando como que por inércia até à linha final, sem que alguém lhe tenha dado o fim devido.

Em outras circunstancias, seria apenas uma ocasião perdida, mas nesta altura para o Rio Ave não há ocasiões que possam ser perdidas. Mal Mané falhou o lance, houve jogadores de joelhos no chão, mãos na cabeça, é uma espécie de filme da época para os vilacondenses, a equipa que menos marca na I Liga apesar de todos os nomes que tem.

Foi também a última das oportunidades do Rio Ave numa 1.ª parte em que foi mais perigoso que o FC Porto, que entrava para este jogo da 33.ª jornada com a necessidade de ganhar para garantir o 2.º lugar do campeonato e confirmar a entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões do próximo ano.

Com o Rio Ave desesperadamente à procura de pontos, o FC Porto entrou algo adormecido. E ainda que tivesse mais bola, foram vários os sustos numa 1.ª parte em que quase nunca conseguiu chegar com perigo à baliza da equipa da casa. Exceção para um remate fortuito de Taremi aos 26', que seria na verdade um cruzamento mas acabou por ir à barra da baliza de Kieszek.

MIGUEL RIOPA/Getty

Após o intervalo, o FC Porto entrou mais pragmático na busca pela vitória e se nos primeiros 15 minutos a toada não mudou por aí além, bastaram depois três minutos para a equipa de Sérgio Conceição resolver o jogo.

Aos 56', João Mário, novamente aposta na ala direita, fletiu para o meio e com o timing certo deu para Toni Martínez, com o espanhol a fazer o primeiro. E aos 59' foi o talento de Luis Díaz a vir ao de cima, com uma grande jogada individual, a dançar em frente aos defesas do Rio Ave, batendo mais uma vez Kieszek.

Com o Rio Ave praticamente sem ação, o FC Porto começou então a gerir, com Sérgio Oliveira, que começou no banco, a entrar para o lugar de Taremi. E logo na sua primeira ação, o médio marcou, a finalizar uma jogada que começou num erro de Aderllan Santos, numa altura em que a equipa de Miguel Cardoso já dava sinais de algum descontrolo emocional, face a uma 2.ª parte em que foi uma sombra da 1.ª. Com a equipa descompensada devido ao erro defensivo, o FC Porto construiu a jogada com todo o espaço, com o internacional português a receber o passe de Luis Díaz e rematar à meia-volta, numa bola que ainda bateu no poste antes de entrar.

Com o resultado já definido e o vice-campeonato mais do que assegurado, Sérgio Conceição ainda fez entrar Ivan Marcano, naquele que foi o regresso do espanhol à equipa principal depois de uma grave lesão - desde março que o central não jogava pelo FC Porto.

Quanto ao Rio Ave, pouco ou nada conseguiu fazer na 2.ª parte, com uma digna exceção chamada Meshino, o japonês que ainda mexeu nos últimos minutos de jogo. Os golos do FC Porto só vieram acentuar uma crise que faz com que os vilacondenses joguem a sua vida na última jornada, frente ao Nacional, uma situação a que há muito tempo não estavam habituados.