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FC Porto

Conceição: "Não faz sentido um jogo de campeonato nestas condições. Temos mais 200 mil kms de viagens dos nossos jogadores do que o rival"

Na conferência de imprensa de antevisão do clássico com o Sporting (20h30, SportTV1), o técnico do FC Porto criticou o calendário que leva a que alguns jogadores só se juntem ao plantel nas horas anteriores à partida. "É a saúde dos jogadores que está em causa", referiu

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Octavio Passos/Getty

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Importância do clássico
"São sempre jogos importantes, que valem não só os três pontos mas também três pontos que o adversário não ganha, são jogos de seis pontos. É um jogo importante, como todos os de campeonato. Gostaria de defrontar o atual campeão nacional noutras condições, mas as condições são as que são e temos de olhar para as soluções que temos no grupo e apresentar uma equipa competitiva para conseguir o melhor resultado possível e esse resultado é a vitória."

O FC Porto criticou opções de Fernando Santos. O que tem a dizer?
"Eu não tenho de comentar as decisões do nosso selecionador."

Dificuldades para preparar o jogo
“Claro que nós saímos prejudicados. Em termos de minutos jogados pelos jogadores nas seleções, nós temos mais mil e tal minutos do que o adversário de amanhã. Temos mais 200 mil quilómetros de viagens feitas pelos nossos jogadores do que o adversário. Eu sei que estamos no início de época, como ouvi ontem um ou outro comentador dizer, mas é uma estupidez dizer que por causa disso não há problema porque é a saúde dos jogadores que está em causa. Esta madrugada, à uma e meia da manhã, estava a ver o Luis Díaz fazer um golo e vai-se juntar à equipa hoje à noite, tal como o Uribe e o Corona. Estamos a falar da preparação de um jogo importante contra um adversário difícil, o atual campeão nacional, e preparar um jogo nestas condições, estando semana e meia com 10 jogadores, não é, de todo, normal. É normal porque somos o FC Porto e estamos habituados a fornecer jogadores às diferentes seleções e ficamos todos contentes, mas não é normal a calendarização”

Jogo devia ter sido adiado?
"Não há outra resposta que possa dar: não faz sentido fazer um jogo de campeonato nestas condições."

Como preparou o jogo?
"Não é fácil a preparação do jogo assim. Há várias formas de preparar uma equipa: trabalho com imagens e vídeos, mas não há nada como o treino, como o terreno, como eles pisarem o espaço. Eu gosto desse treino no campo, mas não temos tempo para isso, não temos os jogadores disponíveis. Vamos ter jogadores a entrar no hotel quase no dia do jogo, e se houver um pequeno atraso se calhar entram no hotel já no dia do jogo. É difícil, mas nós não nos podemos agarrar somente a isso. Queríamos que as condições fossem diferentes, mas não são. O que importa é o que podemos fazer para ganhar o jogo. Os departamentos desportivo e clínico estarão em cima desses atletas para, em conjunto, perceber se estão em condições para ir a jogo. E depois decidir pela melhor equipa, e assumiremos que com essa equipa é possível ganhar ao Sporting amanhã, sem lamúrias nem lamentações. Depois do jogo não me ouvirão falar mais desta questão dos jogadores em cima da hora ou da difícil preparação desse jogo."

Como viu declarações de Corona?
Nós também precisamos que ele jogue mais.

Sporting teve vários jogadores dispensados das seleções. Consegue antever que onze colocará o Sporting e se Coates, Inácio ou Pedro Gonçalves serão titulares?
"Não faço a mínima ideia, não faço parte do departamento médico do Sporting, não sei em que condição estão esses jogadores. Acredito que, se não estiveram nas respetivas seleções, é porque não podiam mesmo, eu acredito muito na verdade dos jogadores. Por isso, depende da recuperação que fizeram neste período no Sporting. Esses jogadores, normalmente, são titulares e se estiverem em condições estou a contar que esses jogadores joguem"

É possível que altere o onze, por exemplo reforçando o meio-campo?
"Independentemente do jogo que tivermos pela frente, há sempre nuances. A base da equipa, em termos de dinâmica, tem-se mantido já de há algum tempo a esta parte. Temos um modelo habitual, em 4-4-2, mas já jogámos em sistemas diferentes. E, depois, os jogadores que entram no onze inicial têm características diferentes uns dos outros e aí preparamos o jogo, estrategicamente, de forma diferente. Pode saltar à vista do comum adepto? Não, mas são situações trabalhada e pormenores que, muitas vezes, têm dado resultado e sido fundamentais para ganhar jogos. E este encontro não foge à regra, existe uma estratégia para a partida, olhando um bocadinho para os pontos mais fortes do adversário e algumas fragilidades que o adversário também tem."

O que pode desequilibrar o jogo?
"O que pode desequilibrar o jogo é sermos fortes nos quatro momentos do jogo. Há um quinto momento que são as bolas paradas, que são importantes e cada vez mais decisivas nos jogos. E há um sexto que ninguém pode controlar, que é o talento e a qualidade individual. E não há estratégia que possa condicionar esse momento de inspiração de um jogador, acreditando eu sempre que essa inspiração advém de uma boa organização da equipa."

Considera que, esta época, tem mais opções no plantel?
"Eu não sou empresário nem dirigente, logo não tenho de me preocupar com as vendas ou com os equilíbrios que possam haver em termos financeiros. Claro que eu e os jogadores temos de trabalhar para que todos os jogadores sejam possíveis vendas, isso faz parte do futebol, sobretudo em países que financeiramente não são tão fortes como os que pertencem ao big-5. Mas, a partir desse momento, não tenho nada a ver com as vendas. Aquilo que eu falo com o nosso presidente, e estamos sempre de acordo, é, dentro das possibilidades do clube, que jogadores eu acho que são importantes estarem connosco para termos uma época dentro do que temos tido nos últimos 4 anos. Claramente que estou contente com o plantel que tenho"