Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
FC Porto

Conceição: "Simeone não me via como treinador? Eu não bitaitava, ao contrário dele que era mais bitaiteiro acerca daquilo que era a equipa”

O treinador do Atlético Madrid, colega de Sérgio Conceição na Lazio no início dos anos 2000, admitiu que nunca pensou ver o português como treinador e o técnico do FC Porto respondeu. As duas equipas jogam na quarta-feira, na estreia para a Liga dos Campeões

Tribuna Expresso

FERNANDO VELUDO/EPA

Partilhar

O grupo

“O equilíbrio está patente na história dos clubes do grupo. Nós tivemos numa final da Champions em 2004 e a partir daí tanto o Milan como o Liverpool como o Atlético estiveram em duas finais cada. Isto mostra o peso histórico dos clubes. São equipas que fazem parte de campeonatos mais fortes, isso não há dúvida. Nós conseguimos contrapor essas diferenças com um espírito grande, com ambição. É dessa forma que vamos encarar este jogo”

Atitude de Toni Martinez

“Eu conheço o grupo que tenho. Para lá da vida profissional existe a saúde que é o mais importante. Quando é assim orgulho-me de ter um grupo com qualidade enorme como profissionais mas também com uma qualidade humana acima da média. Vi muita preocupação com o adepto do rival, mas nesse momento não há rivalidade, há a vida de uma pessoa. Foi o sentimento do Toni Martinez que num momento difícil viu alguém que se aproveitava para se valorizar como profissional ou algo do género, na minha opinião, de uma forma completamente errada”

Evolução de Diogo Costa e Wendell

“O Diogo Costa está a fazer o papel dele, de acordo com a qualidade e a evolução que tem tido. Não podemos esquecer de um outro guarda-redes que nos deu muito, até na Liga dos Campeões, o Marchesín. Mas independentemente daquilo que já ouvi, o Diogo Costa começou a jogar com o Marchesín em condições. É a semana de trabalho que me diz por quem opto, incluindo o Cláudio Ramos. O Wendell pode parecer estranho, alguma comunicação social tem feito títulos disso, mas ele tem-se preparado e trabalhado para conhecer e perceber o que queremos dele e não é num estalar de dedos. O Wendell a última titularidade dele foi em maio, no Leverkusen. E não nos podemos esquecer que tive poucos jogadores durante 15 dias. Se me perguntarem se está nas condições ideais para ser lançado posso ter mais dúvidas, mas não quer dizer que não possa iniciar o jogo. Correndo o risco de depois me dizerem que sou mau treinador porque lancei um jogador sem minutos. Mas nós às vezes somos presos por ter cão e por não ter, já estou habituado a isso. Sou eu que tomo as decisões em consciência, assim continuarei, tendo cabeça dura, como dizem. E tenho muito orgulho nisso, sou uma pessoa de convicções”

Simeone

“Representamos clubes de gente muito apaixonada. Representamos clubes que no seu ADN têm muito a ver com as nossas personalidades, minha e do Diego. Mas depois temos as nossas diferenças. Aliás, acho que na dinâmica de jogo… podem dizer que são equipas aguerridas e com ambição, mas quem não tem isso hoje no futebol ou tem uma equipa super talentosa ou então… Nesse sentido, mais alguns traços de personalidade que havia naquele grupo da Lazio, um grupo ganhador, difícil de lidar e de liderar… não foi um ano de beijinhos, foi um ano de muita luta nos treinos para cada um ganhar o seu lugar. Foi um ano muito bom, em que conseguimos dar à Lazio o título, o que não é fácil em Itália, numa altura em que estavam lá os melhores jogadores do Mundo. Ele disse que eu sou teimoso? Ele não será menos. Estamos a falar de alguém que eu conheço. Achava que eu não ia ser treinador, mas eu na altura tinha 23 anos, era miúdo, ele já era um bocadinho mais velho. Ele se calhar já estava a pensar no final da carreira e eu estava a pensar em atingir o auge. Nessa altura o meu foco era ser jogador. O Diego se calhar já pensava no que fazer depois. Se calhar via aquilo que era eu na minha teimosia de querer agarrar o lugar e estar disponível para a minha equipa, mas não bitaitava sobre ser treinador ao contrário de ele, que era mais bitaiteiro no balneário acerca daquilo que era a equipa”

FC Porto e Atlético: equipas parecidas?

“São equipas diferentes. E mesmo sem bola, na minha opinião, é mais pressionante que o Atlético. Não estou a dizer que não seja forte na reação à perda, que é outra coisa, onde são muito bons. Têm feito muitos golos em transição. Na organização defensiva são mais pacientes que a minha equipa. O princípio, a base, isso está lá, equipas que não viram a cara à luta e que disputam cada lance. Acho que aí há semelhanças”

Equipa diferente face a 2020?

“O Atlético tem mudado um bocadinho, tem jogado em 3x5x2. Mas apanhamos o Atlético num momento em que não sabemos como vai ser porque no último jogo jogaram em 3x4x3 e ao intervalo mudaram para 4x3x3. Estamos aqui já a falar de vários sistemas. Independentemente disso, do sistema base, há qualidade em todos os sectores, há construção a três, dois homens a dar muita largura e profundidade nas laterais. Estamos preparados para diferentes cenários, percebendo os pontos fortes. Mas depende de quem jogar: se jogar Griezmann e Suarez à frente é diferente de Griezmann, Suaréz e Correa”