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FC Porto

Conceição acha que "o sucesso do FC Porto na Champions" não se deve "à história nem ao peso do clube", mas a "trabalho e organização"

Na conferência de imprensa de antevisão do duelo contra o Moreirense (domingo, dia 19, 18:00 horas, SportTV2), o técnico disse que os bons resultados que a sua equipa tem tido na Europa não se devem à experiência, dado que "os números mostram o contrário", pois o FC Porto "tem muitos jogadores jovens e que vieram de clubes inferiores" sem experiência internacional anterior, os quais têm demonstrado "capacidade e a qualidade para jogar na Liga dos Campeões"

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Que conclusões tira dos jogos em Alvalade e Madrid?
"Os jogos contra Sporting e Atlético de Madrid já passaram, ficaram pelo caminho. Claro que houve a análise do que foi feito e nós estamos atentos à prestação da equipa, quer nos pontos mais positivos quer nos menos bons. Cada partida faz parte da nossa análise para perceber o que temos de fazer, olhando para a prestação individual, e sobretudo, coletiva. Mas agora o que conta é o jogo de amanhã. Nós estamos sempre a dizer que o próximo encontro é o mais importante, eu sei que é um chavão do futebol, mas é verdade. Amanhã o mais importante é o Moreirense e tudo o resto tem pouca importância”

Apresentará o FC Porto laterais mais ofensivos?
“Nós fazemos isso de forma constante na nossa dinâmica ofensiva. No último jogo, tivemos o Corona em muitos dos lances ofensivos da equipa, tal como o Zaidu na primeira parte, tanto que até há um lance duvidoso na área adversária com ele. A nossa dinâmica não muda, poderá mudar um ou outro jogador. O Toni Martínez está fora do jogo por castigo, o Pepe está fora do jogo por lesão e sou obrigado a mexer na equipa. Mudará uma ou outra peça, mas não muda o que nós queremos para o jogo, dentro dessa dinâmica habitual, obviamente com uma ou outra nuance diferente, dependendo da estratégia que temos para o adversário que vamos apanhar pela frente”

Resultado positivo em Madrid pode motivar mais equipa para o que vem aí?
“Há algo que é inegociável, que é a atitude competitiva, independentemente do jogo, do estádio, de quem quer que nós possamos defrontar, tem de estar sempre presente no nosso trabalho diário neste clube. É verdade que, depois da Champions, as equipas têm alguma dificuldade, e não é só em Portugal, é em toda a Europa. Isso está relacionado com a despesa que os jogadores têm em termos físicos no jogo, mas muitas vezes, penso eu, é mais a nível emocional, por sair de um encontro com um mediatismo grandíssimo e, depois, entrar em partidas em que os jogadores podem desvalorizar o adversário que têm pela frente. E não há perigo maior do que esse. E eu já dei esse alerta. Ser competitivo, é ser competitivo sempre, não é só às vezes. Ser ambicioso e determinado, tem que se ser diariamente, não é só às vezes. E isto não é nenhum recado para o balneário, porque se eu notar alguma falta de compromisso - e eu tenho um grupo que conheço bem e não conto com isso - estou ali no banco para fazer mudanças. E se eu achar que alguém não está bem, tem de sair. Eu posso substituir, a mim quem me pode substituir é o presidente

Lesão de Pepe pode ser porta aberta para Fábio Cardoso?
“É a porta aberta para um outro jogador que vai jogar naquela posição, vamos entrar com 11. O Fábio é uma das soluções para esse lugar”

Pepê é alternativa a Toni Martínez?
“Sim, pode ser uma solução. Pode ser o Luis Díaz, o Fábio Vieira, recordo-me de um jogo contra o Lyon em que o Fábio Vieira jogou como segundo avançado e teve um comportamento muito bom. Depois, obviamente temos o Evanilson, há várias soluções para juntar ao primeiro avançado. O primeiro avançado pode ser o Evanilson, e não jogar o Taremi, cabe-me a mim definir qual é o jogador, tendo em conta a estratégia para desmontar a boa organização defensiva do adversário.

Já promoveu a estreia de vários jovens na Champions
"Não é a pensar nesses números que os jogadores se estreiam na Liga dos Campeões, mas é um facto. Eu, quando leio alguns artigos de opinião ou vejo algumas pessoas a falarem da nossa prestação na Liga dos Campeões nestes quatro anos, vejo falar de ADN Porto, da história, peso ou da experiência. E os números mostram o contrário. Não há experiência. O Zaidu não tem experiência de Liga dos Campeões, o Marko Grujic não tem experiência, o Diogo Costa tem dois jogos de Liga dos Campeões, o Mbemba começou a jogar Liga dos Campeões comigo, o Toni Martínez não teve experiência de Liga dos Campeões, o Taremi também não. Entrar com um símbolo que tem um peso e uma história muito grandes na Liga dos Campeões é importante, mas não é tudo. Se fossem para lá 11 sujeitos com a camisola do FC Porto, o Atlético dava 10 ou 15. O peso ou a história jogam, mas jogam muito pouco. O que é muito importante é o trabalho, a organização, a humildade dos jogadores perceberem que se tem de ter muito rigor nesta competição, que se tem de errar muito pouco, que nas oportunidades que temos, temos de marcar. Há todo um trabalho que estes jogadores interpretam da melhor forma e que tem dado prestações muito positivas. Mas é um erro dizer o sucesso do FC Porto nestes anos na Liga dos Campeões - chegámos aos quartos de final duas vezes e aos oitavos uma vez - se deve à história ou peso do clube, não é por isso. Os números refletem que temos muitos jogadores jovens, muita gente de clubes inferiores ao FC Porto e que vieram para o FC Porto e tiveram a capacidade e a qualidade de jogar na Liga dos Campeões. Mas não são o peso nem a história que jogam.

Análise ao Moreirense
"O Moreirense começou por jogar num 4-3-3 no primeiro jogo na Taça da Liga, e depois foi mudando. Maioritariamente, tem jogado em 3-4-3, mas consoante o jogo corra bem ou mal, muda, para 4-3-3 ou 4-4-2, juntando o André Luis ao Rafael Martins. No último jogo, contra o Famalicão, jogou em 4-3-3, com três médios, dois mais fixos à frente da defesa e um mais próximo do Rafael. Fica difícil prever o que acontecerá amanhã na estrutura inicial do Moreirense. E eu tenho de conhecer essas diferentes formas de abordar o jogo que o João tem. Na frente não tenho grandes dúvidas de que jogará o Rafael, mas no apoio ao Rafael pode jogar o Yan, o Walterson, o Felipe Pires, quase de certeza, joga na esquerda. O Abdu Conté na esquerda da defesa, o Paulinho na direita, e três centrais, com o Steven Vitória, o Rosic e Artur Jorge. Se jogar com dois, provavelmente será o Artur Jorge e o Rosic, depende da estratégia do João. O que temos de perceber é a forma e a dinâmica da equipa quando aborda o jogo em 3-4-3 ou 4-3-3, o que é que pretendem e o que fazem durante o jogo. Analisámos e estamos preparados para dar uma resposta. Cabe-nos ir à procura da vitória contra uma equipa cujos resultados não refletem a qualidade individual e qualidade da sua equipa técnica"