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Sérgio Conceição: “Hoje o jogador jovem é um bocadinho menos focado do que era há uns anos. Eles saem daqui e depois têm uma vida lá fora”

Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo contra o Gil Vicente (sexta-feira, 21h15, Sport TV1), no qual ainda não contará com Pepe e Marchesín, o treinador do FC Porto falou no trabalho de "fazer crescer os jovens não só dentro do campo", o que "não é fácil"

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MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

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Bom registo fora de casa

“Isso faz parte do passado. Esta é das deslocações mais difíceis que temos no campeonato. São três pontos muito importantes na nossa caminhada, até porque já perdemos pontos e não nos queremos afastar do lugar que ambicionamos, que é o primeiro.”

Análise ao Gil Vicente

“É uma equipa consistente. Se virmos que têm o Bilel e o Lino nas alas, podíamos pensar numa equipa que ataca de forma rápida e espera o erro do adversário, mas não é nada disso. O Gil está entre as cinco equipas com mais posse de bola no campeonato, é uma equipa muito interessante, à imagem do que é o Ricardo Soares como treinador, que já nos habituou a ter conjuntos bem organizados, que sabem o que querem do jogo, com consistência. Não é fácil jogar contra as equipas dele. Nós estamos atentos ao que tem sido o Gil este ano, com uma ou outra nuance que tem apresentado. O Gil tem uma frente de ataque interessante, mas se olharmos para o meio-campo, com o Vítor Carvalho, o Pedrinho e o Fujimoto a ser o homem mais livre, conseguem ter qualidade na posse e definir bem na fase de criação. Em termos defensivos, também é uma equipa interessante, trabalhando muito. Nós estudamos todos os adversários, fazemos isso com muita seriedade e foco. E este Gil não fugiu à regra. Cabe-nos a nós fazer as despesas do jogo e tentar levá-lo para o caminho que queremos.”

Sobre Wendell, Fábio Vieira e Vitinha terem festejado um golo contra o Moreirense à parte

“Isso não me interessa, o que me interessa é que a equipa faça golo. Depois quem dá abraços ou beijinhos a quem, para mim é pouco importante. Eu não tinha pensado nesta questão para esta conferência, mas prometo que na próxima eu direi o porquê desse abraço, mas se calhar estavam juntos ali. Vou questioná-los, ainda não o fiz”

Condição física de Pepe e Marchesín

“O Marchesín ainda está num período de readaptação ao treino competitivo, portanto ainda não está completamente a 100%. Clinicamente está apto, mas ainda com algumas limitações, porque o trabalho de guarda-redes é um trabalho específico. Quanto ao Pepe, ele ainda não estará apto para este jogo, infelizmente.”

Sente-se orgulhoso pelo papel no crescimento de jogadores da formação?

“Esse é o nosso trabalho, não só com jogadores que fazem parte da formação do FC Porto, mas com toda a gente, potenciando ao máximo a capacidade de cada um deles. Se me sinto orgulhoso? Sim, porque a equipa ganha com isso e o clube também, mas essa é a minha obrigação, é fazê-los crescer. Fazer crescer os jovens é fazê-los crescer não só no campo, o que muitas vezes, hoje em dia, não é fácil. Não é fácil incutir-lhes o que é o mais importante para eles, porque hoje o jogador jovem é um bocadinho menos focado do que era há uns anos. Tem outras coisas boas, mas esse trabalho não é fácil. Faz parte do que a equipa técnica tem de fazer, porque acompanhamos muito o jogador, não só na sua vida profissional mas também no seu comportamento fora do treino.

Esse comportamento não está só relacionado com o treino em si, está relacionado com as horas a que chega, com o que faz antes do treino, o que faz depois do treino, todo esse trabalho invisível. Eles saem daqui e depois têm uma vida lá fora, e quando eu consigo incutir nos jogadores alguns princípios fundamentais para ter sucesso fico muito orgulhoso e isso, muitas vezes, não está só relacionado com o campo.”

É o plantel mais equilibrado nos cinco anos de Conceição?

“Depende de como cada um queira ver as coisas. Eu lembro-me que, quando eu cheguei ao FC Porto e não fizemos contratações, tínhamos um plantel com Casillas, Maxi, Brahimi, Aboubakar, com uma série de grandíssimos jogadores, referências do futebol europeu. O ter mais opções depende do que os jogadores derem, da evolução de que falávamos. Claro que me sinto um privilegiado ao ver do banco a segunda parte contra o Moreirense, mas os mesmos jogadores na primeira já não foi bem assim. Sempre tivemos plantéis equilibrados, depois podemos ter um sector ou outro com mais soluções.”

Qual é a melhor posição para Fábio Vieira?

“Depende do que o treinador pedir. Eu acho que o Fábio, partindo de um 4-4-2, se jogar por fora vai, naturalmente, vir para o seu espaço, que é mais o corredor central. É um jogador para atuar do meio-campo para a frente, como médio-ofensivo ou ala, como ala que provoca movimentos interiores. Em qualquer uma dessas posições dá boa resposta.”