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FC Porto

A história que Sérgio Oliveira contou outra vez

Tal como na época passada, o FC Porto marcou cedo em Barcelos. E, tal como na temporada anterior, sofreu antes de Sérgio Oliveira vir ao resgate. Um golo de livre direto aos 89' deu a vitória (2-1) à equipa de Sérgio Conceição, num jogo de pouca imaginação dos dragões

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA

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Não foi exatamente igual, não é como se estivéssemos a ver o “Dia da Marmota” em pleno Estádio Cidade de Barcelos, mas há histórias que, com um ou outro desvio por estradas secundárias mais sinuosas, com palpitações mais aceleradas, se escrevem outra vez.

Como a história da vitória do FC Porto em casa do Gil Vicente.

Na época passada, o resultado conta um 2-0 para o FC Porto, com um golo logo aos 7 minutos, um míssil de Uribe, e um segundo golo já na 2.º parte, mais um remate que quebrou várias regras de velocidade rodoviária, desta vez saído do pé de Sérgio Oliveira, numa fase em que a equipa de Sérgio Conceição sofria com o avançar no terreno do Gil, que estava então mais próximo do empate do que de sofrer novamente.

Esta sexta-feira, o FC Porto voltou a marcar cedo, num remate de Taremi desde o seu quintal, e quando foi preciso ir ao resgate numa situação periclitante - porque ao contrário da época passada, o Gil marcou mesmo - lá estava de novo Sérgio Oliveira. Um livre direto aos 89’ salvou o FC Porto do empate e o médio português não teve problemas voltar a contar a história.

Salvar não será hiperbolar a realidade, porque as coisas estiveram efetivamente tremidas para o FC Porto em Barcelos, frente a um Gil Vicente que na 1.ª parte discutiu o jogo, olhos nos olhos. Logo no primeiro minuto, Murilo bailou na área do FC Porto e rematou a rasar o poste, uma declaração de intenções que os visitantes conseguiram mitigar não com uma reação coletiva, mas sim com o talento de um homem: aos 9’, Taremi ganhou um lance a meio-campo a Lucas Cunha e vendo o guarda-redes Frelih adiantado rematou dali mesmo, a mais de quarenta metros, com a bola a planar que nem avião de papel cuidadosamente dobrado até chegar às redes. Um grande golo do iraniano, mais do que uma falha de Frelih.

MIGUEL RIOPA

Em vantagem, o FC Porto quase marcou outra vez aos 18’, com Frelih a defender o remate de Taremi e, depois, na segunda bola, Fábio Vieira ver a muralha gilista a tirar-lhe o golo na linha de baliza.

Mas a partir daqui, e apesar da superioridade na posse, o FC Porto entrou numa espécie de engodo futebolístico, pouco eficaz e nada efetivo. O Gil, que nunca deixou de ser uma equipa organizada nem baixou os braços, ia ficando cada vez mais à vontade no jogo.

E mais ainda ficou quando aos 24’ marcou na sequência de uma grande penalidade: Diogo Costa ainda defendeu o primeiro remate de Samuel Lino, mas o brasileiro estava lá para a recarga. Com o empate no marcador, o Gil Vicente coeso a defender e a tentar sair à mínima oportunidade, o jogo punha-se difícil para o FC Porto, que começou mal a 2.ª parte, sem criatividade para chegar ao último terço.

Só a partir dos 60’ o FC Porto emplacou uma série de lances de perigo que definitivamente encostaram o Gil Vicente às cordas - na 2.ª parte, a equipa da casa foi um fantasma ofensivamente e entregou-se à missão defensiva. Otávio foi o primeiro a ter o golo nos pés, mas a tentativa de picar a bola por cima de Frelih resultou num remate para a bancada, e logo a seguir Uribe e Marcano ficam perto do golo. Aos 63’ a bola entrou mesmo, com Taremi aproveitar uma defesa para a frente de Frelih a um remate de Vitinha, mas o iraniano estava em posição irregular.

Pouco depois, Conceição abdicaria do talento de Fábio Vieira e Vitinha para apostar na intensidade de Sérgio Oliveira e na mobilidade de Toni Martinez. E se é verdade que o FC Porto passou a ter mais dificuldade em guardar a bola, não menos verdade é que foi dali que saiu o saca-rolhas do jogo - aquele livre direto de Sérgio aos 89’, quando de bola corrida já todas as portas pareciam fechadas, como que a lembrar que as histórias do FC Porto em Barcelos são escritas segundo a vontade do médio, da raiva e mira cirúrgica daquele pé direito, que foi salvar três pontos sofridos, mais transpirados que inspirados.