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FC Porto

Feira sem vaidades (e com lágrimas)

O FC Porto bateu o Feirense por 5-1 e segue em frente na Taça de Portugal, num jogo em que manteve o Liverpool à distância e encarou o adversário da II Liga com seriedade e atitude competitiva. De tal forma que deu ainda para as bancadas se emocionarem com a estreia a marcar de Francisco Conceição

Lídia Paralta Gomes

MANUEL FERNANDO ARAÚJO

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Um par de horas antes de entrar em campo para jogar a 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, o FC Porto poderá ter tido um assustador vislumbre do futuro. Em Liverpool, naquele Kop cheio de vozes alinhadas a cada walk on/walk on/with hope in your heart, o Liverpool dava quatro ao Arsenal, batendo o bombo com aquele futebol sôfrego e urgente, capaz de passar a ferro qualquer um.

Pode ser que o aviso tenha ajudado o FC Porto. Frente ao Feirense, equipa da II Liga, Sérgio Conceição poupou qb, mantendo peças chave como Mbemba, Otávio, Uribe e os dois da frente, Taremi e Evanilson - não há jogos menos valiosos que outros e o FC Porto que enfrentou a equipa de Santa Maria da Feira foi um FC Porto sem vaidades, que assumiu com seriedade um encontro onde partia como óbvio favorito.

Com a cabeça ainda longe de Liverpool, desde cedo o FC Porto pegou no jogo: logo aos 7’, Evanilson falhou só com o guarda-redes à frente e aos 15’ já ganhava, com uma senhora cabeçada de Uribe a responder a um livre de Vitinha.

Quase sempre conduzida pelo pé de Vitinha em forma de batuta, a equipa de Sérgio Conceição ia passeando boas jogadas coletivas e as oportunidades foram-se sucedendo. Uribe voltou a estar perto aos 26’ e no canto Evanilson atirou ao ferro. O futebol era intenso e com muita qualidade a espaços, parecia faltar apenas o golo.

O Feirense pouco aparecia, mas esteve perto do empate aos 34’ com João Paulo a deslumbrar-se ao ver-se sozinho em frente a Marchesin. Rematou muito por cima e cinco minutos depois o FC Porto fazia o 2-0 numa boa jogada de entendimento entre Francisco Conceição e Manafá pela direita. A bola chegou então a Otávio, que recebeu e sem deixar cair a bola no chão lançou bomba cruzada para dentro da baliza.

MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Ainda antes do intervalo, o 3-0 que não deixou dúvidas sobre a atitude do FC Porto perante o encontro deste sábado. Mais uma vez Otávio, desta vez após canto, a rematar de cabeça e depois a confirmar o golo na recarga com o pé.

Após o intervalo, o FC Porto parecia disposto a controlar sem forçar, mas não se podem recusar ofertas. Foi o que fez Evanilson, que aproveitou um atraso mal calculado de Bruno Onyemaechi para ficar sozinho em frente a Arthur Augusto. E não falhou.

Ao 4-0 seguiu-se talvez o único momento de aparente distração do FC Porto, que aos 59’ permitiu um remate do meio da rua a Petkov, ao qual Marchesín respondeu com um voo vistoso, e aos 67’ errou na saída de bola, com Vitinha a atrapalhar-se à entrada da área, deixando a bola para Vargas, que com um remate cheio de efeito com o peito do pé reduziu para o Feirense. Antes disso, uma preocupação, com Otávio a sair com queixas.

Bastou o golo para os níveis de concentração do FC Porto voltarem ao verde e o 5-1 final seria o momento mais emocional da noite. Taremi ganhou a grande penalidade e agarrou-se à bola para marcar, mas este sábado era dia para Francisco Conceição entrar nos registos. O extremo de 18 anos respirou fundo três, quatro vezes, partiu para a bola e estreou-se a marcar pelo FC Porto. Seguiu-se um abraço demorado ao pai, enquanto nas bancadas a mãe não evitou as lágrimas.

E foi assim, em tom de momento Kodak, que se fecharam as contas, num jogo sério e competente do FC Porto, tão sério e competente quanto quererá ser em Anfield, na quarta-feira. Não há nada como ser constante na atitude.