Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
FC Porto

MP suspeita que dinheiro do FC Porto serviu para pagar leasing feito por ex-mulher de Pinto da Costa

Em causa estarão milhares de euros gastos por Pinto da Costa com Fernanda Miranda e que têm como origem os cofres do FC Porto

Rui Gustavo e Hugo Franco

MANUEL DE ALMEIDA

Partilhar

Uma das razões que pôs Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, na mira dos investigadores da Operação Cartão Vermelho foi a suspeita de que dinheiro do clube terá sido usado para pagar despesas de leasing (uma espécie de aluguer) de Fernanda Miranda, mulher com quem o presidente da SAD portista esteve casado cinco anos e de quem se terá reaproximado.

Segundo uma fonte próxima do processo, em causa estarão "milhares de euros" gastos com Fernanda Miranda e que têm como origem os cofres do FC Porto. A revista "Sábado" revela também que terão sido pagas rendas a Fernanda Miranda com aquele dinheiro.

A casa de Pinto da Costa foi alvo de buscas, tal como a do seu filho, Alexandre Pinto da Costa, que também é empresário.

De acordo com a mesma fonte, o MP está a investigar suspeitas que apontam para o pagamento de comissões por serviços que não foram prestados ou que foram pagas acima do valor considerado normal.

A SAD do Porto também foi alvo de buscas tal como a casa e o escritório de Pedro Pinho, outro empresário ligado ao FC Porto. Em causa, no total, está um total de 40 milhões de euros pagos em comissões e a suspeita de crimes de fraude, abuso de confiança e branqueamento de capitais.

A equipa do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), liderada pelo procurador Rosário Teixeira, e a da Autoridade Tributária (AT), dirigida por Paulo Silva, suspeitam de negócios com as transferências de alguns jogadores do FC Porto como Éder Militão, do FC Porto para o Real Madrid, em 2019, por 50 milhões de euros, que teve como intermediários Pedro Pinho mas também Bruno Macedo, constituído arguido em julho na primeira parte da investigação.

Também estão sob suspeita as transferências de Ricardo Pereira, Quintero, Felipe e Tiquinho Soares nos últimos anos.

O DCIAP e a AT investigam igualmente a negociação das transmissões televisivas realizadas entre o clube nortenho e a então Portugal Telecom (atual Altice) em 2017, sobretudo uma comissão de 20 milhões de euros à BM Consulting, de Bruno Macedo, empresa que foi intermediária do negócio.

Em julho, Luís Filipe Vieira, então presidente do Benfica, o seu filho Tiago Vieira, o empresário José António dos Santos e o agente desportivo Bruno Macedo chegaram a estar detidos e foram constituídos arguidos nesta Operação Cartão Vermelho. São todos suspeitos dos crimes de burla qualificada, abuso de confiança agravada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada. Estão em causa alegadas fraudes do dirigente encarnado em negócios e transações com o Estado, Benfica e Novo Banco, que ascendem a mais de 100 milhões de euros.