Tribuna Expresso

Perfil

Quarentena à Capela

“Vivemos uma guerra em Itália. Se a sociedade não perceber que a forma como agimos faz a diferença nos hospitais, vai morrer muita gente”

Aníbal Capela joga no Cosenza, da Série B, no sul de Itália. Está no país com mais casos registados da Covid-19 na Europa e este é o primeiro capítulo da rubrica "Quarentena à Capela", uma espécie de diário em que o defesa central português contará, na primeira pessoa, como vive um futebolista no meio desta pandemia

Diogo Pombo

Partilhar

Cosenza fica bem em baixo, quase na ponta da bota, longe do norte, onde o surto de coronavírus mais atingiu Itália e fez panicar o país. É de lá que chegam os relatos crus e assustadores de hospitais, médicos, enfermeiras e gente que lida, a diário, com uma doença que, a esta hora, já afetava mais de 27 mil pessoas.

Aníbal Capela está em Itália há três anos. Conta dois no Cosenza, onde se encontra de quarentena. "Não é uma coisa fácil. Mas é coletiva, não é individual, tens sempre o consolo de não seres o único a fazer isto", resume, em vídeo, a falar de casa sobre a experiência de estar a viver, por dentro, no país que tem sido mais afetado na Europa.

O português, de 28 anos, realça e reforça que "tem que funcionar assim", pois "só assim podemos conseguir levar avante esta luta", que não é uma luta, mas uma "guerra contra o coronavírus". Durante esta semana, Aníbal Capela vai relatar como é viver em Itália, nesta altura, durante esta pandemia, e aconselhar, explicar e tentar ajudar o "povo português", para que "não passe por aquilo que os italianos estão a passar".

Porque, diz ele, "estamos a viver uma guerra aqui em Itália" e, há poucos dias, falou com três médicos italianos que lhe disseram exatamente a mesma coisa: "Estamos a viver uma guerra, não só nos hospitais, como fora. Se a sociedade não perceber que a forma como agimos faz a diferença nos hospitais, então vai morrer muita gente. Esta é a realidade, foi a mensagem dos médicos."