Tribuna Expresso

Perfil

Quarentena à Capela

O positivo que Aníbal Capela vê a sair desta crise: “Sermos indivíduos um pouco mais altruístas e menos egoístas”

O jogador português está no 18.º dia de quarentena em Cosenza, Itália, e, no turbilhão da pandemia, do drama e da saúde cadente, começa a ver coisas positivas a emergir. Este é o sétimo episódio da rubrica "Quarentena à Capela"

Diogo Pombo

Partilhar

Dia 18 de quarentena, Aníbal Capela rasga um sorriso, “as coisas estão a estabilizar”. Não é que as notícias de Itália sejam boas, são más, contudo menos severas, menos malévolas. As coisas, pelo menos, “estão a abrandar”. Um país encerrado em si próprio, fechado por obrigação de fazer os possíveis para tentar suster um surto que parece incontrolável.

Há as mortes, os novos casos, a curva íngreme que se quer ver a amansar em planície, mas o jogador português sorri com histórias, as que ouve de “mais jovens a ajudarem os idosos nas compras, voluntariamente”, as que vai sabendo de pais saudosos por limparem as teias de aranha às memórias que tinham de “brincarem com os filhos”.

No turbilhão da pandemia, do drama, da saúde cadente, Aníbal Capela destaca “algo de positivo”, o quão se está a refletir na sociedade “o cuidado com o próximo e o saber que não estamos sozinhos”. A mudança boa espreguiçada do meio de uma ocasião má que é “sermos indivíduos um pouco mais altruístas e menos egoístas” - ponta por onde o jogador pega para fazer uma analogia com o futebol.

Se toda a gente "retirar o melhor que tem dentro de si", a sociedade, como uma equipa de tipos que correm atrás de uma bola, vai melhorar. Fica, apenas, a questão que se acende a cada crise humana: "Porque não, quando isto tudo acabar, continuarmos assim?"