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Tatuagens no Mundial do Japão? É melhor não. Tudo para não ofender os locais

A World Rugby está a aconselhar adeptos e jogadores a taparem as tatuagens que têm no corpo durante o campeonato do Mundo do próximo ano. Tudo porque no Japão os desenhos estão conotados com a Yakuza e outros grupos de crime organizado

Lídia Paralta Gomes

Hannah Peters/Getty

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Seja por motivos sentimentais ou só para o estilo, as tatuagens são por estes dias mais ou menos omnipresentes nos atletas por esses desportos fora.

Mas poderão ser um problema para os atletas que no próximo ano vão participar no Mundial de râguebi no Japão. A World Rugby, organismo que regula a modalidade a nível global, lançou um apelo (ou mais uma recomendação) para que jogadores e adeptos tapem as suas tatuagens, tudo para não ofender os anfitriões.

No Japão, as tatuagens estão há muito associadas com a Mafia (a Yakuza) e outros grupos de crime organizado. Alan Gilpin, diretor do torneio, diz que há mais de um ano que a World Rugby tenta consciencializar as equipas para essa questão cultural no país do sol nascente e que tem havido compreensão do lado dos jogadores.

“Estávamos à espera de reações de frustração, mas não tem acontecido nada disso. Não vamos forçar ninguém a tapar as suas tatuagens, mas são as próprias equipas que pensam fazê-lo, porque querem mostrar que respeitam as tradições do Japão”, sublinhou o responsável à imprensa britânica.

Os responsáveis da Nova Zelândia, campeã em título, já sublinharam que os jogadores serão informados das idiossincrasias japonesas, até porque a equipa viajará no próximo mês para o país, onde participará num jogo teste. Nos jogadores neozelandeses com origens nas ilhas do Pacífico, as tatuagens são bastante comuns, até por uma questão cultural. TJ Perenara, Aaron Smith e Sonny Bill Williams são alguns dos jogadores da Nova Zelândia com tatuagens com desenhos maori. Um dos melhores jogadores da Austrália, Israel Folau, também tem tatuagens. A própria seleção do Japão tem um jogador com tatuagens, Timothy Lafaele, nascido em Samoa.

Timothy Lafaele, jogador da seleção do Japão, nascido em Samoa

Timothy Lafaele, jogador da seleção do Japão, nascido em Samoa

MARTIN BUREAU/Getty

Mas respeitar os costumes japoneses estará sempre em primeiro lugar.

“Quando alguma das nossas equipas está em digressão, respeitamos sempre as tradições e cultura locais e isso não será diferente no Japão”, sublinhou Nigel Cass, da federação de râguebi da Nova Zelândia.

O Mundial do Japão vai jogar-se no próximo ano entre os dias 20 de setembro e 2 de novembro.