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O pior pesadelo dos organizadores do Mundial de râguebi? A falta de cerveja

Comité organizativo da competição que decorre no Japão, entre setembro e novembro deste ano, receia que uma eventual ‘seca’ prejudique imagem do país e que se percam oportunidades de negócio

João Pedro Barros

Lynne Cameron - PA Images

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A relação entre os adeptos de râguebi e a cerveja é de um amor quase incondicional. Na cabeça de um português médio, pouco dado a este deporto para arruaceiros praticado por cavalheiros, surgirá a pergunta: e no futebol, não é assim? Nem por isso: o britânico “The Sun” cita um responsável da organização do Mundial de râguebi de 2019 – a ser disputado em 12 estádios do Japão, entre setembro e novembro deste ano –, que avalia que, enquanto um adepto de futebol bebe em média um copo de cerveja durante um jogo, um adepto de râguebi bebe quatro a seis.

Mais interessante ainda, o jornal relata o choque sentido por funcionários da cervejeira Heineken, patrocinadora oficial do evento, ao verificarem as condições disponíveis em alguns dos estádios, com capacidade entre os 72 mil e os 16 mil lugares: um deles tinha apenas um bar e cinco barris de cerveja disponíveis. Uma quantidade que se esgotaria muito antes do apito inicial, o que já aconteceu num encontro entre Japão e Austrália, em novembro, no Estádio Internacional de Yokohama, que irá acolher a final. Mas a Heineken sossega os interessados: “Podem ter a certeza de que terão uma experiência excecional”.

Para assegurar que os adeptos não transmitam uma má imagem do Japão via redes sociais – e, já agora, que não se percam bons negócios –, o comité organizativo tem deixado o aviso nas reuniões de preparação da prova, nomeadamente em Sapporo, Hokkaido e Oita: câmaras municipais, hotéis e restaurantes, abasteçam-se de reservas e preparem-se para um consumo extraordinário. A notícia é avançada pela agência de notícias japonesa Jiji.

O Mundial deve trazer ao Japão mais de 400.000 adeptos estrangeiros, especialmente nas cidades em causa. De acordo com o “The Guardian”, o município de Oita pediu às cervejeiras e distribuidores para aumentar a capacidade de armazenamento e pondera permitir horários alargados nos bares, logo após os jogos. À agência Jiji, um responsável da Câmara Municipal considerou que o problema é “real”.

A cerveja no Japão tem alguma popularidade, mas está longe de chegar ao calcanhar de outros países: dados de 2016 apontam para um consumo de 41,4 litros per capita, enquanto na República Checa, a primeira classificada, os valores chegam aos 143,3 litros. A idade legal para consumir bebidas alcoólicas é de 20 anos e há leis severas para punir a condução sob efeito de álcool. O chamado 'botellón' (consumo de álcool na rua) também é pouco comum.