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Râguebi

Entre o kick e o rush, a África do Sul chegou à final

Os sul-africanos ultrapassaram os galeses (19-16) e vão discutir o título Mundial contra a Inglaterra. Mais sólida e, sobretudo, mais confortável a jogar um râguebi partido e pouco fluído, a África do Sul foi eficaz no tiro aos postes, uma constante nesta meia-final

Pedro Candeias

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

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O País de Gales - África do Sul foi o exemplo perfeito de como um jogo de râguebi pode ser jogado pelo ar e não pelo chão, ao pé e não à mão, num contraste absoluto com o Inglaterra - Nova Zelândia de sábado.

Entre galeses e sul-africanos, os pontos definiram-se nas penalidades até ao minuto 57', quando Damien de Allende sacudiu o encontro do paradigma futebolístico anos-90 - digamos, kick and rush - para marcar o primeiro ensaio, convertido posteriormente por Pollard. Depois disso, numa série de fases de ataque junto aos postes sul-africanos, o País de Gales conseguiu também fazer o seu ensaio, por Josh Adams, convertido por Halfpenny de um ângulo complicado. Ficou 16-16, e chegou a pensar-se que o Gales - África do Sul iria estrategicamente mudar.

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Pelo contrário, voltou a jogar-se como até esses dois instantes, em que os adversários procuraram sistematicamente pôr a oval no campo de lá ao pontapé (aos 50 minutos, mais de 50 já tinham sido dados; 81 no final), resultando num râguebi partido e pouco fluído de parte a parte, com erros e turnovers a acentuarem o que acabo de escrever.

Assim, com tudo empatado aos 65' minutos, era provável que fosse outra penalidade a fechar a eliminatória: Pollard, aos 76', a quatro do fim, aproveitou uma falta alheia, chutou aos postes e sentenciou o encontro.

Agora, que venha a final, que a África do Sul nunca perdeu nas vezes em que lá chegou: 1995 e 2007.