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Aos 38 anos, parece que Daniel Carter voltará a jogar na Nova Zelândia

Um dos melhores jogadores de sempre e, provavelmente, o ainda mais mediático, pode estar prestes a voltar à Nova Zelândia e ao formato do Super Rugby interno que o país criou para lidar com a pandemia. Aos 38 anos e após cinco épocas no estrangeiro, uma mensagem de WhatsApp parece indicar que Daniel Carter vai jogar nos Blues de Auckland, não pelos Crusaders de Christchurch, clube que sempre representou

Diogo Pombo

Koki Nagahama/Getty

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Pesquisar por fotos de Daniel Carter não é o que costumava ser.

Nas primeira páginas de resultados, ei-lo a aparecer numa cerimónia ao intervalo da última final do Mundial de râguebi, no Japão, encamisado e encasacado. Já de gravata posta, surgem imagens dele numa gala do Comité Olímpico da Nova Zelândia. As seguintes têm-no de volta ao mais recente Campeonato do Mundo: de microfone na mão, a rir e a dar opinião no relvado, durante uma meia-final; a entregar um prémio de homem do jogo; a pousar para uma selfie com um jogador da seleção russa.

Depois, lá está ele a ser fotografado na passadeira vermelha antes da estreia do "The Perfect 10", o documentário sobre a sua carreira.

Só uns cliques adiante a pesquisa começa a devolver fotografias mais constantes de Daniel Carter a jogar râguebi, o que, aos 38 anos, ainda é a sua profissão, por mais cadente que venha a ser nos últimos tempos. Em 2015, acabado de conquistar o segundo Mundial seguido com os All Blacks, foi para França ser o jogador mais bem pago do mundo. Jogou duas épocas no Racing 92 de Paris e, em 2017, deixou antever com uma decisão o que poderia ser o resto da sua carreira.

Mudou-se para os Kobelco Steelers, no Japão, onde o campeonato local se joga em três ou quatro meses e o interesse pelo râguebi não era estrondoso até à seleção organizar e chegar aos quartos-de-final do último Mundial. Parecia ser uma lenta e progressiva despedida do râguebi, num campeonato menos exigente e competitivo, do provável melhor médio de abertura de sempre, vencedor de três prémios de melhor jogador do mundo (2002, 2005 e 2015).

Até que, esta quarta-feira, o "New Zeland Herald" avançou que Daniel Carter estará prestes a voltar à Nova Zelândia - e para jogar o novo formato do Super Rugby, competição que costuma juntar equipas da Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Argentina, mas que, devido à pandemia, apenas se vai jogar, no caso do país que mais Mundiais já ganhou, entre as cinco equipas locais (10 jornadas e 20 jogos).

Quem o fará regressar serão os Blues, que esta época já contrataram Beauden Barrett, o médio de abertura que o substituiu nos All Blacks e entretanto já foi considerado o melhor do mundo por duas vezes (2016 e 2017), mas, alegadamente, nem quererão Carter para lhe fazer sombra.

A ideia será que o médio seja uma espécie de reserva para Stephen Perofeta, que se lesionou esta semana, durante um treino, e joga habitualmente a 15, posição em que Carter chegou a jogar algumas vezes, sobretudo na fase inicial da carreira.

A mensagem de WhatsApp que, alegadamente, o treinador dos Blues enviou para a equipa.

A mensagem de WhatsApp que, alegadamente, o treinador dos Blues enviou para a equipa.

Cam Russell

A chegada aos Blues, que ainda nada confirmaram, foi reforçada por uma alegada mensagem que Leon MacDonald, o treinador, terá enviado para o grupo de WhatsApp da equipa, divulgada pelo site "Stuff" e na qual se lê: "Rapazes, para que saibam antes do resto do mundo, o Dan Carter vai juntar-se à equipa como um suplente de lesão para o Stevie [Perofeta]. Será um pouco agitado (com os media, etc.), por isso façam-no sentir-se em casa, como sempre fazemos".

Na mensagem também consta o que terá levado Daniel Carter a decidir regressar - "o motivo é que quer retribuir ao râguebi da Nova Zelândia com experiência e conhecimento". Algo que, com 38 anos e um corpo arreliado há muito por crónicos problemas num joelho, seria o mais expectável.

A confirmar-se, Carter retorna ao râguebi neozelandês onde, antes, nunca jogou fora da ilha sul do país. Nascido em Southridge, o médio sempre jogou ou pelo clube da terra na Mitre Cup (o campeonato nacional do país), ou pelos Crusaders, equipa de Christchurch, que dista cerca de uma hora da pequena cidade.

Auckland, onde jogam os Blues, fica bem a norte da ilha norte do país, parece vir a acolher o que poderá ser a derradeira experiência de Daniel Carter em campo.