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Jogos com adeptos no estádio, sem critério. Vai acontecer na Nova Zelândia

O Super Rugby Aotearoa é a primeira competição no mundo a deixar os adeptos regressarem aos estádios. O torneio que juntará as cinco equipas neozelandesas que costumam competir na maior prova de clubes do hemisfério sul, e que arranca no sábado, 13 de junho, terá os estádios abertos ao público, sem quaisquer constrangimentos ou medidas de distanciamento social derivados da pandemia

Diogo Pombo

Michael Bradley/Getty

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Quase 40 mil pessoas foram testadas nos últimos 17 dias e ninguém acusou positivo. Ninguém é hospitalizado devido ao microscópico bicho mais temido há 12 dias. Já contam 40 dias desde que foi detetado um caso de infeção comunitária e contaram-se 22 a partir do momento em que terminou a quarentena da última pessoa diagnosticada com covid-19 e infetada por essa cadeia de transmissão.

Estes foram os factos ditos, esta segunda-feira, por Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia que neles sustentou a decisão que anunciou pouco depois ao país: todas as restrições que impôs devido ao novo coronavírus vão ser levantadas e, basicamente, as coisas regressarão à normalidade, exceptuando no controlo das fronteiras. De momento, apenas os cidadãos neozelandeses e familiares diretos podem entrar no país, ficando obrigados a cumprir 14 dias de quarentena.

Horas após este anúncio, a Federação de Râguebi da Nova Zelândia revelou a sua própria boa nova.

A partir deste fim de semana, os jogos do Super Rugby Aotearoa poderão ter público nos estádios, livres de quaisquer restrições de números. O torneio, que arranca no sábado, em Dunedin, com o Highlanders-Chiefs, é um formato adaptado da competição que, por hábito, se realiza anualmente e junta as melhores equipas da Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Argentina. Neste caso, será disputada pelos cinco clubes neozelandeses que participam na competição original e vai durar 10 semanas.

Com o levantamento das medidas, a federação do país reagendou a maioria dos jogos para horários mais pós-laborais ao sábado e menos tardios ao domingo. "Queremos dar a oportunidade aos nossos fãs para, no sábado, acabarem os seus jogos, atravessarem a cidade e chegarem aos estádios. Também estamos contentes por conseguirmos oferecer jogos durante o dia aos domingos", explicou Chris Lendrum, diretor do departamento de râguebi profissional da entidade.

Roger Clark, presidente dos Highlanders, reconheceu que "o mundo vai estar a assistir" ao jogo inaugural e à restante competição, garantiu que "todos estão prontos para dar espetáculo" e regozijou com o facto "mágico" de serem "capazes de oferecer algum râguebi e entretenimento de classe mundial para os adeptos e famílias", que passaram por "momentos árduos" nos últimos meses.

O Super Rugby foi suspenso a 15 de março e, 10 dias depois, a primeira-ministra fechou o país. A quarentena durou um mês. A Nova Zelândia nunca chegou a superar os 1.500 casos confirmados de covid-19 e apenas foram registadas 22 mortes causadas pelo novo coronavírus - em Portugal, esta segunda-feira, registavam-se 34.885 pessoas infetadas e 1.485 mortes.

É uma hipótese para calçar as botas. Quer jogue, ou não. Daniel Carter está mesmo de volta

Os rumores eram mesmo verdadeiros. Aos 38 anos, Daniel Carter já treinou com os Auckland Blues, disse que está em forma, mas não em forma para jogar (apenas fez seis jogos no último ano e meio), e que ficou entusiasmado por treinar "na mesma cidade onde os filhos vão à escola"