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Jogadores até aos 18 anos não terão jogos de râguebi com contacto em Portugal

Se ainda não é adulto e joga râguebi, então este ano, no fundo, não jogará bem râguebi. A Federação Portuguesa de Râguebi informou, esta quarta-feira, que face às medidas impostas pela Direção-Geral da Saúde, que classificou a modalidade de alto risco, não haverá jogos com contacto físico, esta época, nos escalões de formação

Diogo Pombo

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O contacto físico no râguebi é tão dogmático como o encharcamento de quem resolver caminhar ao ar livre, sem chapéu de chuva, em dia de choro coletivo das nuvens. A forma de parar um jogador em campo é a placagem, e mesmo na milagrosa eventualidade de se passar 80 minutos sem placar ou ser placado, será ainda mais milagre se contar um jogo sem que tenha contacto com outro jogador em campo. Placagens à parte, o mesmo se pode aplicar ao futebol.

Mas, a 25 de agosto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou as normas para a retoma das modalidades desportivas em Portugal e o râguebi ficou entre as consideradas de alto risco, entre várias artes marciais (judo, karaté, kickboxing, aikido, etc.), a patinagem e o polo aquático. Foi a única modalidade de campo, ao ar livre e com bola a ser incluída nesta categoria. A Federação Portuguesa de Râguebi (FPR) prontificou-se a criticar a decisão, queixando-se de "tratamento diferenciado" e "desigualdades inaceitáveis" entre modalidades.

Esse dia ainda não foi o dia em que a DGS anunciou quando serão retomadas as competições do desporto jovem no país, tendo apenas aberto uma exceção para equipas que participem em competições internacionais. Não é o caso dos clubes de râguebi portugueses.

A FPR, como tal, anunciou esta quarta-feira que vai adaptar as regras de râguebi para todos os escalões até aos sub-18. Na próxima época, crianças e adolescentes jogarão "sem contacto [e] ao ar livre" para que "possa e deva ser considerado uma variante de râguebi de risco mínimo". A entidade chamou-lhe de “Rugby free COVID” e esclarece que "permanecerá como competição oficial para estes escalões até serem levantadas todas as restrições ao desporto jovem em Portugal".

No râguebi sénior, as regras da DGS impuseram que todos os clubes devem realizar testes aos jogadores até 48 horas antes de cada jogo, algo que a federação criticou, face ao estatuto amador dos clubes portugueses e aos subsequentes parcos recursos financeiros, que solicitaram à FPR que "faça todos os esforços junto das Entidades Oficiais para que haja um apoio específico que possa viabilizar a testagem dos seus jogadores".