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Râguebi

Pablo Matera, afinal, volta a ser capitão da Argentina. Federação 'perdoou' jogadores que publicaram comentários racistas

Pablo Matera, Guido Petti e Santiago Socino tinha sido suspensos da seleção há dois dias, devido a publicações racistas e xenófobas que escreveram no Twitter, há cerca de oito anos. Mas, esta quinta-feira, a federação argentina restituiu-os por considerar a suspensão "desnecessária" perante "as acusações difamatórias" que o caso originou e que "prejudicam todo o râguebi" do país. A entidade explicou que, mesmo repudiando "terminantemente" as declarações, os jogadores "mostraram um profundo arrependimento" e "reiteraram o pedido de desculpas", mas nenhum foi convocado para defrontar a Austrália no último jogo do torneio das Três Nações

Diogo Pombo

Mark Kolbe/Getty

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Causou uma espécie de comoção em tudo o que envolve o râguebi na Argentina: há pouco mais de oito anos, três jogadores que hoje são fulcrais na seleção oval escreveram comentários no Twitter de teor racista e xenófobo, com piadas sobre negros ou empregadas domésticas de nacionalidade paraguaia e boliviana. Os visados eram Santiago Socino, Guido Petti e Pablo Matera, que não são uns quaisquer - o segundo e terceiro foram titulares no jogo mais recente da seleção, contra a Nova Zelândia (0-38), e o último é o capitão de equipa.

Um capitão afamado nos últimos tempos, porque antes se o all blacks lhes impuseram uma derrota deste volume, em muito se deveu à história vitória que os argentinos lograram há duas semanas, no seu primeiro jogo no torneio das Três Nações, durante o qual Matera, numa conversa com o árbitro, falou com o coração na boca, proclamou o seu patriotismo e exemplificou para muitos a forma como um capitão deve ser, estar e comunicar. Até alguém descobrir o que na internet jamais morre, mas apenas se pode esconder.

Os antigos comentários de Matera, Socino e Petti foram partilhados e viralizaram, os três apressaram-se a apagá-los e a pedir desculpas pelo que escreveram quando a idade dos três andava entre os 18 e os 20 anos. A União Argentina de Râguebi (UAR) suspendeu-os de imediato, anunciando a retirada da capitania a Pablo Matera e a abertura de uma investigação interna ao sucedido. No mesmo dia, 1 de dezembro, começaram a aparecer as reações de atuais e antigos jogadores da seleção argentina.

Tipos como Agustín Pichot (candidato às últimas eleições presidenciais da World Rugby, o ano passado), Juan Martín Hernández (talvez o melhor jogador que o país já teve) ou Agustín Creevy (o anterior capitão da seleção) reagiram à polémica, dizendo mais ou menos o mesmo: as pessoas erram, os factos aconteceram há muito, os jogadores pediram desculpa, afirmaram que o escreveram não os representa e toda a gente merece uma segunda oportunidade. O diário "Olé" chegou a escrever que "90% do ambiente do râguebi argentino saiu em defesa do trio" de jogadores.

E, na quarta-feira, a federação seguiu por uma linha semelhante e revelou, em comunicado, que a sua comissão de disciplina ouviu os três jogadores, que "manifestaram o seu profundo arrependimento, reiteraram o pedido de desculpas e ratificaram que não é o que pensam e que foi um ato imprudente e próprio da imaturidade". A UAR enalteceu, contudo, que todos "assumiram a responsabilidade" e "colocaram-se à disposição da investigação".

A federação "entendeu e valorizou" o comportamento de Matera, Petti e Socino durante todo este processo e, mesmo avisando que o processo disciplinar prosseguirá, decidiu anular a suspensão dos jogadores e restituir o cargo de capitão ao avançado que joga no Stade Français, em França: "Os jogadores não repetiram ações similares durante estes mais de oito anos e demonstraram, durante este tempo, serem pessoas de valores firmes, íntegros e dignos de integrarem a nossa seleção".

Por último, a federação acrescentou que "a manutenção" das suspensões "era desnecessária" devido às "acusações difamatórias que tinham vindo a surgir a partir" desta polémica" que "prejudicam todo o râguebi argentino, sem exceção, e não representam o que é o desporto". Já esta quinta-feira, porém, nenhum dos três jogadores constava na lista de convocados da Argentina para o derradeiro encontro do torneio das Três Nações, agendado para sábado (8h45, Sport TV), contra a Austrália.