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André Geraldes: “Naquele dia não sabia se o treinador estava ou não despedido. O meu papel era pacificar aquilo, como a ONU”

Em entrevista à “CMTV”, o ex-dirigente sportinguista negou ser “corrupto”, disse que nunca subornou ninguém (acusação do processo Cashball) e que não tinha conhecimento do ataque planeado a Alcochete

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Bruno de Carvalho e André Geraldes

Gualter Fatia/Getty

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André Geraldes, ex-team manager do Sporting e futuro CEO do Farense, fez ontem a sua primeira defesa pública, depois de ter sido afastado do clube de Alvalade e constituído arguido no processo CashBall. Em entrevista à “CMTV”, o ex-dirigente sportinguista negou ser “corrupto”, disse que nunca subornou ninguém (acusação do processo Cashball) e que não tinha conhecimento do ataque planeado a Alcochete.

“No Sporting, geria o futebol profissional. Naquele momento, tinha o clube virado de pernas para o ar. Naquele dia [do ataque em Alcochete] não sabia se o treinador estava ou não despedido, os jogadores a quererem falar com a Direção... Era um pouco como a ONU. O meu papel era pacificar aquilo que era o momento menos bom que a equipa estava a passar", disse.

Questionado se pensa se o processo Cashball vai ser arquivado, Geraldes disse estar de “consciência completamente tranquila”. “As pessoas que me conhecem sabem o valor que posso acrescentar aos projetos e aos clubes. Aguardo, com serenidade, o desenvolvimento do processo”, disse.

Confrontado com as mensagens de WhatsApp que chegaram aos jornais relativas a subornos, Geraldes negou ter conhecimento destas. “Têm de provar que esta mensagem tenha saído do meu telemóvel. Não quero beliscar a justiça. É um printscreen e que eu posso inventar um printscreen do teu número de telefone. Não sei se é fabricada ou não, não conheço esta mensagem”, disse.

Quanto a Bruno de Carvalho, o novo CEO do Farense deixou elogios ao ex-presidente do Sporting e disse não querer acreditar que este fosse capaz de organizar um ataque ao próprio clube. “Foi meu presidente durante cinco anos. Eu penso pela minha cabeça e não a reboque de ninguém. Ele fez um primeiro excelente mandato, um excelente início de segundo mas, a partir e janeiro, as coisas não saíram tão bem. Ao nível da comunicação, provavelmente, não fez o melhor percurso. Se tem responsabilidade direta na instabilidade do Sporting? Pelo estilo de comunicação que tinha, o clima não foi o melhor. Eu quero acreditar que nenhum presidente do Sporting pudesse ter pedido para fazerem o que aconteceu em Alcochete. Cada pessoa tem a sua pasta dentro de um clube, eu tinha as minhas atenções viradas para o futebol profissional”, afirmou.