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O purgatório de Jackson Martínez: “A maior dor seria não voltar a jogar. Ter de encerrar a carreira sem voltar a festejar golos”

Após um calvário de dois anos, Jackson Martínez regressou a Portugal e aos relvados

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Aitor Alcalde Colomer

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Após dois anos duríssimos em que chegou a pôr a carreira em causa, Jackson Martínez, avançado do Portimonense e ex-jogador do FC Porto, regressou a Portugal e aos relvados. Mesmo com dores, o colombiano nunca desistiu da sua paixão: o futebol.

“Para mim, a maior dor seria não voltar a jogar. Ter de encerrar a carreira sem voltar a viver o ambiente da competição, sem voltar a festejar golos, vitórias, seria um sofrimento enorme, a juntar ao que tenho passado ao longo destes anos. É por esse motivo que recusei desistir. Decidi lutar contra a dor e acreditar que ainda posso ser útil e que ainda posso fazer o que mais gosto”, assume, em entrevista ao “Record” esta quarta-feira.

Na mesma conversa, Jackson fala pela primeira vez da sua luta e dos constrangimentos que ainda enfrenta todos os dias, devido à lesão que sofreu num pé. “O mais fácil seria desistir e vivi muitos momentos em que pensei que não era possível. Mas a vontade sempre superava a dor. Quando as sensações não eram muito boas lá vinha a dúvida: parar ou persistir? Superei essa fase, voltei a jogar e a marcar golos e essa é uma conquista minha, sem dúvida, mas que contou com o contributo de muita gente que me ajudou e não me deixou desistir”, diz.

Segundo o jogador, quase todas as noites, por volta das 3 ou 4 horas da manhã, o seu sono é “interrompido devido a algum incómodo no pé”. “Depois de alguns minutos passa e volto a dormir. Para treinar-me também não é fácil, não posso fazê-lo dois ou três dias seguidos. Queria muito trabalhar normalmente todos os dias mas os médicos e o fisioterapeuta esclareceram-me que isso era impossível e sigo um programa específico”, conta.

Com o passar do tempo, as dores de Jackson não desapareceram "mas diminuíram”. “Nos jogos [do Portimonense] tenho uma enorme vontade de ajudar mas por vezes penso que não aguento mais e que devo levantar a mão a pedir a substituição. Quando isso sucede... cerro os dentes e não desisto”, disse.