Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Eis a questão que ficou de quarta à noite: Jonas merecia ou não o cartão vermelho direto? O que dizem os especialistas em arbitragem

Jonas merecia o cartão vermelho direto que recebeu ao minuto 72? Eis a questão em que não há consenso entre os especialistas

Expresso

NurPhoto

Partilhar

Se dois auto-golos num só jogo não é coisa pouco, dois na mesma baliza é ainda menos. Quase sem esforço, na quarta-feira à noite, o Portimonense conquistou três pontos. O Benfica, por sua vez, pode ter tido uma recaída e regressado à crise existencial que já se havia manifestado há pouco mais de um mês.

A apontar culpas pela derrota, o Benfica só poderá queixar-se de si próprio e não da arbitragem de Manuel Mota, dizem os especialistas em arbitragem que comentam o encontro esta quinta-feira nos desportivos nacionais.

O juiz da partida, contudo, pode ter cometido um erro (e não erro qualquer): Jonas merecia o cartão vermelho direto que recebeu ao minuto 72? Eis a questão em que não há consenso entre os especialistas.

“Mota esteve muito bom tecnicamente, menos bem disciplinarmente”, escreve Duarte Gomes, na edição desta quinta-feira na “Bola”.

Minuto 72. Jonas merecia ou não o cartão vermelho direto?

A única dúvida dos especialistas, note-se, não é se Jonas devia ter sido expulso, mas sim se merecia o vermelho direto. O pistoleiro encarnado já tinha apanhado um amarelo, antes do lance que levou à sua expulsão.

“A decisão, incorreta, foi induzida em erro pela acção do VAR: o ponta de lança do Benfica entrou com negligência sobre o guarda-redes adversário, mas sem malícia, velocidade ou intensidade que justificasse a expulsão”, escreve Duarte Gomes na “Bola”.

No “Record”, tanto Jorge Faustino e Marco Ferreira apontaram no mesmo sentido: Manuel Mota tomou uma decisão errada. “Jonas saltou com o pé direito em riste na tentativa de jogar a bola. F^-lo de forma negligente, acertando com o peito do pé na cabeça de Ricardo Ferreira. Devia ter visto o segundo amarelo e não vermelho direto”, escreve Faustino.

Por sua vez, os três especialistas em arbitragem do “Jogo” defenderam a tese contrária: o vermelho foi bem mostrado. “Jonas personificou conduta violenta ao apresentar-se de sola, apesar de no último instante ter tentado evitar o gesto deliberado. Agredir ou tentar agredir é sempre punível com cartão vermelho”, aponta Jorge Coroado.

“Jogo perigoso e negligente de Jonas, o suficiente para Manuel Mota ver em tempo real e exibir o cartão amarelo sem ajuda do VAR. Mas, claro, como foi chamado para ver as imagens, só podia mostrar cartão vermelho pela ação grosseira - fora excessiva. Bem expulso”, escreveu Jorge Leirós.

Uma curiosidade: esta foi a primeira vez desde que representa o emblema da águia que Jonas viu um cartão vermelho.