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Uma das maiores da WNBA tirou um ano sabático. Deus deu-lhe uma missão: tirar um homem da prisão

O campeonato feminino da NBA arrancou há pouco mais de um mês, mas Moore não irá entrar em campo este ano pelos Minnesota Lynx

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Matteo Marchi

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Deus disse a Maya Moore, uma das principais basquetebolistas da liga feminina da NBA, para tirar um ano sabático. Pelo menos, foi assim que a atleta compreendeu a vontade interna que lhe surgiu. E uma missão, durante uma visita à sua cidade natal, Jefferson City, apareceu-lhe à frente: tentar libertar Jonathan Irons, um homem condenado a 50 anos de prisão por um assalto à mão armada, quando este tinha apenas 16 anos. Hoje, Irons tem 39 anos.

Moore acredita que o homem está inocente e que é um dos muitos cidadãos negros incorretamente sentenciados a penas pesadas, conta o “The New York Times”.

O campeonato feminino da NBA arrancou há pouco mais de um mês, mas Moore não irá entrar em campo este ano pelos Minnesota Lynx, a equipa em que alinha. A decisão da atleta de 30 anos, vencedora de duas medalhas de ouro olímpicas e que por quatro vezes já conquistou o campeonato norte-americano, deixou todos perplexos.

Durante toda a sua carreira, Moore já foi muitas vezes apelidada “A rainha invencível” e a “super-estrela perfeita”. Talvez a atleta esteja só a fazer jus aos seus cognomes. “Ficámos todos surpreendidos”, disse Geno Auriemma, antigo treinador da atleta, em declarações ao jornal norte-americano. “Pensei: ‘ O que se passa? Há algo que a Maya esteja a tentar esconder? Será pessoal?’ Ainda estou mesmo, mesmo surpreendido.”

Se é certo que o desporto quer Maya Moore de volta, a basquetebolista não tem tantas certezas que vá regressar. “Não sei o que me guarda o futuro. Vou só aguentar esta tensão durante um ano e ver”, disse ao “NYT”.

A paragem de Maya Moore foi uma decisão espiritual, mas não só, revelou a própria atleta. Um dos segundos motivos foi também estar em “burnout” (esgotamento). Segundo o jornal, até as melhores atletas da WNBA ganham muito menos que os atletas masculinos. Para maximizar lucros, são obrigadas a competir em várias ligas pelo mundo ao mesmo tempo.