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“Tragédia da Chapecoense mudou a minha vida”

Lourency é jogador do Gil Vicente mas passou a maior parte da carreira no clube brasileiro

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Lourency

Ricardo Nogueira

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Lourency do Nascimento Rodrigues tem 23 anos, nasceu no estado do Maranhão, no Brasil, e joga atualmente no Gil Vicente, em Portugal. Marcou um grande golo pelo clube de Barcelos na vitória por 3-2 sobre o Aves, na Taça da Liga.

Numa entrevista ao jornal “A Bola”, o avançado brasileiro falou sobre o trauma da tragédia que atingiu o antigo clube, mas também do tão falado golo.

“Quando cortei para dentro levantei a cabeça e vi que o guarda-redes deixou o canto oposto muito aberto e procurei colocar lá a bola. Tive grande felicidade, porque o remate foi perfeito”, recorda a “A Bola”.

“Toda a gente me deu os parabéns, foi fantástico, só posso estar feliz, porque é para isso que trabalho, para mostrar o meu futebol e talento. Mas nestas alturas é que é importante manter o pé no chão, ter cautela e saber que foi só um jogo. Tenho ainda muito que trabalhar, tenho de sofrer para me tornar melhor jogador e isso é o que Vítor Oliveira me tem dito sempre”, partilha.

O Gil Vicente tem uma missão complicadíssima, saltou diretamente do Campeonato de Portugal para a Liga e tem uma equipa totalmente nova. Mas o brasileiro não perde o otimismo. “Sabemos que o caminho é complicado, mas já sentimos que a Direção escolheu muito bem os atletas e a equipa técnica. Para este projeto temos o treinador certo e com o trabalho que fazemos vamos conseguir a manutenção.”

Lourency passou grande parte da carreira na Chapecoense e foi aí que teve a maior dor da vida. Estava entre os convocados para o jogo da final da Taça Sul-Americana, na Colômbia, que ditou a morte de quase toda a equipa. Só uma série de acasos o salvou.

"Foi o destino! Foi o destino! Eu devia estar naquele avião. O clube jogava antes em São Paulo, com o Palmeiras, e a diretoria pediu-me para eu não ir, porque esse encontro não contava para nada e como eu tinha 20 anos podia ajudar o clube a ser campeão estadual de sub-20. Por isso fiquei, até porque estava previsto que eles voltassem a casa antes de partirem para a Colômbia. Mas a logística mudou, já não voltaram para Chapecó, porque fretaram um avião e seguiram diretamente de São Paulo. Eu, que tinha jogado o primeiro encontro, fiquei tristíssimo», conta, acrescentando: «Penso muitas vezes que podia ter morrido, mas o que mais me passa pela cabeça é a dor de perder tantos amigos. Alguns irmãos. Sim porque ali éramos como irmãos. Do que Deus me livrou! Com o Independiente fui titular, eu tinha mesmo de lá estar e não fui..."

Lourency garante que passou a ver a vida com outros olhos: "A vida muda, começa-se a valorizar coisas às quais não se dava antes importância. Sabemos que nunca mais vamos poder abraçar os nossos amigos e a dor é enorme. Naquele momento passei a valorizar mais quem eu amo e quem nos ama a nós."