Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Volta a Portugal: ciclistas em busca de oportunidades

O pelotão da 81.ª Volta a Portugal em bicicleta não procura apenas triunfos na estrada. Estes ciclistas disputam a corrida portuguesa em busca de uma oportunidade para evoluir na carreira

Lusa

David Ramos

Partilhar

Dois ciclistas em particular correm por uma oportunidade: o venezuelano Leangel Linarez (Miranda-Mortágua), de 21 anos, e o australiano Freddy Ovett (Israel Cycling Academy), de 25, além dos vários jovens sub-23 que procuram mostrar-se a equipas maiores.

São os dois “estagiários” do pelotão, em busca de uma oportunidade nas equipas que representam. O “sprinter” venezuelano confessa que tem encontrado “muitas dificuldades”, até por não estar habituado a etapas tão longas.

“Tenho estado há três anos a correr no máximo 160 quilómetros, têm-me faltado pernas. Tenho de preparar-me e é importante participar nesta prova. Já ganhei muita experiência”, referiu à Lusa.

Antigo campeão venezuelano de juniores, Linarez até venceu uma etapa na última edição do Grande Prémio Jornal de Notícias, mas quer “continuar a crescer como ciclista”, e assume estar “muito cómodo na Miranda-Mortágua como estagiário”. “O futuro não é claro, mas espero que seja muito bom”, resumiu com moderado otimismo.

Ovett foi surpreendido. Apenas soube que ia participar na “Portuguesa” “cinco dias antes, além de ir correr o resto do ano”, e mostrou-se “tão feliz” pela oportunidade como pela “possibilidade de correr a Volta”.

“Estamos todos motivados, independentemente de podermos continuar para o próximo ano ou não”, admitiu o australiano, que em 2018 já tinha estagiado na BMC, do pelotão WorldTour.

Espera poder “voltar a correr muitos dias”, até porque se assume como um ciclista para provas de várias etapas, o que faz da Volta “a oportunidade perfeita para mostrar [valor] e ajudar a equipa” israelita a conseguir “um bom resultado”.

Na modalidade das duas rodas sem motor, o mercado abre no início de agosto. A Volta a Portugal acaba por ser uma oportunidade para confirmar o potencial, mostrar-se a outras equipas ou convencer os atuais responsáveis a renovar contrato.

Longe dos tempos de “estagiário”, o australiano Zak Dempster, de 31 anos, corre pela Israel Cycling Academy e desvaloriza o papel do mercado “numa corrida grande como a Volta a Portugal”, mas admite que esta pode levar “a convites para corridas maiores” ou outras equipas. “É negócio, como de costume”, disse à Lusa.

Dempster nunca ficou numa equipa durante mais do que dois anos, um cenário habitual para muitos ciclistas, para quem a Volta pode ser “uma montra”, reforçou Leangel Linarez.

“É uma grande montra e toda a gente vem cá para dar o máximo. Viemos dar o máximo, mas sabemos que o nível é muito alto. Estamos a dar o nosso melhor e a ganhar experiência e depois participar em fugas, em algum dia disputar uma etapa. É uma luta”, comentou.

Aos 22 anos, o suíço Lukas Ruegg (Swiss Racing Academy) está no segundo ano de profissional. Tem sido aposta regular da equipa para as visitas a Portugal, onde já correu a Clássica da Arrábida e a Volta ao Alentejo.

Os 10 dias de prova seguidos são “uma nova experiência” para grande parte da equipa, marcada pela juventude dos seus elementos. “Entrar em fugas” é o principal objetivo, também pela possibilidade de aumentar a visibilidade da formação suíça, dos patrocinadores e dos próprios corredores.

Ruegg confirmou à Lusa que o mercado está “sempre na cabeça dos ciclistas”, ainda que durante as provas se tentem desligar dos rumores e das possibilidades de transferência.

“Ouve-se falar muito de transferências e de contratos, sim, mas é importante ter a cabeça fria e correr a corrida pela corrida”, aconselhou o jovem.