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Raphinha: “Mais cedo ou mais tarde, acabamos por ser tratados como mercadoria”

Quando tudo levava a crer que iria finalmente ter a sua grande época no Sporting, eis que os leões o vendem ao Rennes. O ex-jogador dos leões em entrevista

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Há quem equacione se não foi a saída de Raphinha para os franceses do Rennes, ou os 21 milhões que entraram nos cofres de Alvalade, a garantir a permanência de Bruno Fernandes. O jogador de 22 anos não guarda ressentimento mas vai falando do que lhe vai na alma, numa entrevista ao jornal “A Bola”. Eis alguns destaques.

A responsabilidade acrescida

“O preço é um peso a mais para carregar nas costas, porque passamos a representar toda uma estrutura. Mas, no meu caso, lido de forma muito natural.”

O Rennes em detrimento da Fiorentina

“A minha decisão tem muito a ver com a postura do presidente do Rennes, que demonstrou muito interesse em mim, conversou mesmo comigo e até mesmo perdeu um pouco de tempo para explicar todo o projeto. Colocou-me como uma peça importante do projeto. (…) O presidente não me tratou como mercadoria.”

Tratado como mercadoria

“Isso é normal no futebol, não tem como fugir disso. Graças a Deus pude trabalhar como pessoas muito humanas e que sabem lidar não apenas com o atleta, mas também com o homem. Mas sim, numa hora ou noutra, acabamos por ser vistos e tratados como mercadoria. Faz parte do futebol.”

Dever cumprido no Sporting

“Quando fui contratado pelo Sporting, falei que estava a chegar para ganhar títulos. Fiz de tudo para isso acontecer, assim como os meus companheiros. Lógico que gostava de ter ganho a liga, mas não aconteceu. Felizmente, pude ganhar no Sporting os meus dois primeiros títulos na carreira, algo que nunca vou esquecer.”

Lembranças de Portugal

“A minha estreia profissional no Vitória de Guimarães e os dois títulos pelo Sporting.”

Cena mais marcante

“A meia-final da taça, na vitória por 1-0 frente ao Benfica. O ambiente do balneário depois do jogo foi espetacular. (…) Naquele dia tirámos um peso das nossas costas.”

A falta de sossego no Sporting

“O Sporting, pelos adeptos que tem, acaba por ser muito cobrado. (…) O jogador que vai representar o Sporting precisa de saber isso, entender que vai ser cobrado a todo o instante. Quando ganha um jogo, está tudo bem, exatamente como aconteceu mais recentemente. O Sporting, por exemplo, era o líder da liga, mas passado uma semana caiu para o quarto lugar. A nossa vida vai do céu ao inferno numa semana.”

Estava feliz

“Não tinha motivos para querer sair. Na minha cabeça tinha pela frente um ano de afirmação. (…) Mas o que aconteceu faz parte do futebol. Foi bom para o Sporting, foi bom para mim.”

As saídas para a manutenção de Bruno Fernandes

“Todo o mundo sabia desde a época passada que havia muitas propostas pelo Bruno, mas a decisão cabia a ele e ao Sporting, e isso servia também para mim, para o Bas (Dost) e para o Thierry (Correia). Se ficou acordado assim, fico feliz por ter ajudado o clube.”

A amizade com Bruno Fernandes

“Sou amigo do Bruno desde antes mesmo de ter chegado ao Sporting. (…) Essa pressão em cima dele, tudo isso tem a ver com o que ele fez e ainda pode fazer. A qualidade dele é enorme, pode decidir o resultado de um jogo a qualquer momento. Sempre mostrou estar preparado para tudo isso.”

A venda de Bas Dost

“Foi uma surpresa para todo o mundo. Foi como disse antes: o futebol tem dessas coisas, muitas vezes o jogador é tratado como mercadoria. Num dia você pode estar muito bem num clube e, no outro, de repente, estar noutro clube.”

Decadência de Keizer

“Acredito que as outras equipas passaram a estudar melhor o Sporting e conseguiram anular o nosso jogo, que era muito ofensivo e de muitos golos. Felizmente, ainda assim, terminámos a época com dois títulos.”

“O que o adepto não pode esquecer é que, em oito meses, ele levou o Sporting a duas finais.”