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Eto’o: “Mourinho deixou-me no banco um mês e punha-me a aquecer ao minuto 89. Fui falar com ele e ele disse: ‘Bom, agora tenho um jogador’”

A lenda do futebol mundial falou no Congresso Aspire, em Doha, no Qatar, sobre os treinadores que mais o influenciaram

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PIERRE-PHILIPPE MARCOU

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Samuel Eto’o deixou marcas no futebol europeu e mundial enquanto jogador de clubes como Inter ou Barcelona. Hoje em dia, equaciona uma carreira de treinador e foi precisamente o exercício dessas funções a dominar a sua intervenção do Congresso Aspire, no Qatar.

Acabando desde já com as ilusões de ver Mourinho, com quem o camaronês mantém excelentes relações, eleito o treinador mais influente da sua carreira, a escolha de Eto’o é outra. “Se tiver que escolher um treinador será Luis Aragonés, porque ele mudou a minha vida. (…) Luis era único, sabia jogador com a personalidade.”

Para Eto’o, os melhores treinadores foram os que lhe “disseram as coisas mais duras cara a cara”. “Quando estava no Inter, (…) Mourinho deixou-me um mês no banco e punha-me a aquecer ao minuto 89. Depois de algum tempo, fui falar com ele e ficou tudo esclarecido. ‘Bem, agora tenho o meu jogador’, disse-me. Depois disso, ficou tudo bem entre nós. Eu dir-te-ei sempre as coisas cara a cara, com respeito, e depois discuti-las-emos.”

Já com Guardiola, a relação é diferente. “Eu estou apaixonado por Guardiola como treinador mas não como pessoa. É o técnico que melhor me passou a mensagem, aprendi realmente a jogar futebol com Guardiola. Interpreta-o melhor que ninguém. O que o torna diferente é a sua forma de passar a informação.”

No caso de vir a exercer as funções de treinador, Eto’o tem o desejo de ganhar um mundial com os Camarões. “Porque para ganhar não é preciso fazer magia, temos de fazer as coisas bem, com as pessoas certas, uma boa organização e bons jogadores, que temos tido. (…) E também porque ser um treinador importante de cor é muito difícil no futebol.”