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As aventuras de Caixinha no México

Dos conflitos com os jornalistas ao “rapto virtual” de um dos seus adjuntos: as histórias de Pedro Caixinha no México

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Pedro Caixinha foi, até há pouco tempo, treinador do Cruz Azul, do México. Antes, já tinha treinado o Santos Laguna. Não foram poucas as aventuras vividas no país de Speedy Gonzalez. Em entrevista ao jornal “A Bola”, Caixinha revê os episódios mais absurdos da sua passagem pela América Central.

Quando chegou ao México, o treinador português viu-se no meio de polémicas que não pediu. Como o facto de ter ido assistir a um jogo da Taça do México. “Acontece que os treinadores não eram obrigados a ir a esses jogos, porque disputar duas provas nem lhes interessava! E não iam! E como eu fui, (…) eles mudaram a regra e os treinadores passaram a ser obrigados a estar presentes, o que logo criou chatices.”

Caixinha admite que teve de fazer a “defesa do território”. “Quando eu era um treinador absolutamente desconhecido, (…) cheguei para roubar o espaço de outros treinadores, a todo o circo do futebol mexicano.”

Mas nem tudo foi circo. Houve também literatura. Como no conceito de “malinchismo”, baseado em Malinche, personagem histórica presente no livro de Garcia Marquez, Cem anos de solidão. “O ‘malinchismo’ traduz o desprezo que é prestado aos que se deixam atrair por qualquer valor que chegue do estrangeiro”. Caixinha explica: “Sempre que havia qualquer coisa e ofendiam a equipa, ou a mim, eu reagia e isso criava-lhes confusão, porque eu era estrangeiro”.

É, claro, inevitável falar da violência no México. Pedro Caixinha experienciou a triste realidade: “O culto do gangue existe em todo o país, não só junto à fronteira”. “Nunca fui vítima de nada de especial. O que se sente é que há uma disputa de espaço. (…) Pessoalmente, nunca passei qualquer perigo. Houve, em todo o caso, um adjunto meu, o Pedro Malta, que sofreu um sequestro virtual. (…) Acontecia muito. Criminosos que ligavam para as pessoas (…) e ameaçavam-nas ao telefone. (…) Obrigavam as pessoas, amedrontadas, a ir para determinado sítio, levantar dinheiro, coisas assustadoras.” Devido à proteção do clube, Malta escapou ileso. “Mas foi assustador, claro.”