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O regresso do Leeds United como o conhecíamos

Pode estar de volta um gigante do futebol inglês, sob a liderança de Andrea Radrizzani

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Quando Andrea Radrizzani decidiu comprar o Leeds United, diz-se por terras de Sua Majestade – diz o “Daily Mail” – que era uma corrida para um só cavalo. Antes dele, Massimo Cellino tinha gerido o clube da sua forma única e é justo que se diga que não era propriamente um projeto muito apelativo. Houve guerras entre o clube e a Sky Sports, ou com a liga inglesa.

Radrizzani, empresário dos direitos televisivos, avançou. Compare-se agora a situação atual com a de 2016 e as diferenças não poderiam ser mais claras.

Apesar de Radrizzani ser o sócio maioritário, uma fatia do Leeds pertence ao grupo de investidores que detém também a equipa de futebol americano San Francisco 49ers. Radrizzani tem andado em conversações com a QSI, o braço do governo do Qatar que detém o PSG, um adepto endinheirado do Leeds, com sede nos EUA, e com o dono de um clube italiano, sobre possíveis investimentos futuros.

Tudo isto é mais provável de acontecer caso o Leeds regresse à Premier League. De qualquer forma, há sinais de que um clube de “montanha russa”, com altos consideráveis e baixos desesperantes, pode voltar a ser o gigante de outros tempos, ainda que demore algum tempo a despertar.

Segundo uma fonte do Daily Mail, aquando do espetacular colapso financeiro do clube, “os cowboys só atraem outros cowboys”. Radrizzani acabou com essa imagem. As diferenças de bastidores são imensas. Pouco depois de tomar o control do clube, o empresário recomprou o estádio de Elland Road através de uma das suas empresas.

O clube está também a considerar a construção de um novo complexo de treinos mais perto do estádio, em parte porque o atual é de difícil acesso. Mesmo enquanto isso acontece, a direção tem conseguido fazer os ajustes pedidos pelo treinador Marcelo Bielsa. No verão construíram uma nova pista de corrida a seu pedido.

No tempo de Cellino, a piscina do clube foi posta de lado e os jogadores eram obrigados a trazer sandes de casa para o almoço.

O Leeds melhorou também o seu lado comercial. Consta que o clube pode encaixar 50 milhões de libras este ano, em grande parte devido à celebração do seu centenário. Isso é mais do que 12 clubes do escalão principal do futebol inglês conseguiram em 2017-18 e muito acima de qualquer equipa do Championship, divisão em que o Leeds United se encontra.

O documentário feito pela Amazon na época passada trouxe o Leeds de volta à ribalta. Já se deu pela presença de câmaras na zona do estádio, o que leva a crer que pode haver uma nova série.

Em tudo isto, está o dedo de Radrizzani. O empresário tem muitos contactos importantes, devido aos seus empreendimentos.

Por seu turno, o sucesso de Bielsa à frente da equipa principal também ajudou, sendo o holofote que destaca o estado atual de um clube que viajava de crise em crise. O treinador passou dois anos a dormir num quarto por cima de uma loja – por sua vontade – a quase 7.000 quilómetros da família, para orientar uma equipa da segunda divisão.

O Leeds pode não subir esta época mas, pela mesma razão que levou Bielsa a aceitar o acordo, parece inevitável que a subida acontecerá muito em breve. A estrutura, a experiência e a sanidade que não existia com os anteriores donos parecem indicar que o Leeds United está na melhor posição desde o início do atual milénio.