Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Menos golos, menos remates, menos eficácia: o Benfica de Lage com sinal menos

De acordo com a estatística, baixou o número de golos e também se remata menos

Tribuna Expresso

Julian Finney - UEFA

Partilhar

À 8ª jornada, só o FC Porto marcou mais golos (19) do que o Benfica (17) na liga. No entanto, os números demonstram os encarnados estão menos letais esta época. Não foi apenas a média de golos que baixou (3,8 nos 19 jogos em 2018/19, contra 2,1 nas oito jornadas desta temporada), mas também o número de remates, enquadrados ou não com a baliza do adversário.

Os dados fornecidos pela Opta, empresa de estatísticas desportivas, mostram bem as diferenças para a primeira época de Lage, que terminou com a conquista do título e, em geral, traduzem uma maior dificuldade da equipa no último terço ofensivo. Nas jornadas disputadas até agora, a equipa encarnada baixou quase todos os índices de finalização, exceto a média de remates fora da área: 4,5 em 2018/19 contra 5,6.

Os números ajudam a explicar um início de época com exibições de menos fulgor. O jornal “Record” juntou um painel, composto por Manuel José, João Alves e Álvaro Magalhães, e os seus membros são perentórios: existem vários fatores a contribuir para a falta de brilho, mas o facto de Bruno Lage ainda não ter encontrado uma equipa base acaba por ser decisivo. "Nesta altura, a equipa ainda está em construção", considera João Alves. Já Manuel José não tem dúvidas: "Os jogadores do Benfica, quando olham para o lado, veem um colega diferente", sustenta.

O dado que mais salta à vista tem a ver com os remates dentro da área: a equipa de Lage baixou de 12,3 em 2018/19 para 8,6 esta temporada. Há menos pontaria, uma vez que as águias contabilizam uma média de disparos bloqueados ainda mais elevada (quatro por jogo, em contraste com os 3,6 registados no primeiro ano de Lage à frente do Benfica).

Também houve um decréscimo de remates originados por situações de contra-ataque, o que pode indiciar um menor índice de aproveitamento de situações de transição ofensiva.

Segundo Manuel José, "as alterações constantes, o aparecimento de jogadores que não jogam e depois são titulares, têm prejudicado. Depois, o Benfica deixa os adversários à vontade. É uma equipa longa. O FC Porto é o inverso, não deixa jogar. Quem quer ser campeão tem de criar oportunidades, mas a verdade é que a bola não chega em condições aos avançados. Os jogadores, cada vez que olham para o lado, veem um colega diferente e isso dificulta as rotinas."

Já João Alves defende que "para haver uma grande equipa tem de haver valores individuais e não me parece que o Benfica os tenha. Saíram Jonas e João Félix e naquela posição não há criatividade. Nesta altura, a equipa ainda está em construção, mas as vitórias ajudam a cimentar a ideia. O facto de ter muitos jogadores lesionados também tem dificultado, assim como as constantes alterações na equipa. Ainda há margem para evoluir durante a temporada."

Álvaro Magalhães considera que "o Benfica começou bem, mas a derrota com o FC Porto fez descambar o moral. Bruno Lage tem de estabilizar a equipa e, para isso, precisa de escolher uma base e utilizá-la durante vários jogos seguidos. Estar sempre a mudar não é benéfico. As lesões não ajudam, mas tem de haver um núcleo. Em 2004/05 tínhamos um onze forte e mais dois ou três jogadores no banco. Hoje joga o Samaris, que depois nem sequer é convocado. E podia falar do Fejsa..."