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Ronaldo: “Após o jogo, vou jantar com os amigos, volto a casa às 4 da manhã e mergulho em água gelada antes de me deitar”

Vai fazer 35 anos em fevereiro mas a ambição e a determinação permanecem intocáveis. O craque português deu uma entrevista à “France Football” e fala de tudo, até dos Prémios Nobel

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FABRICE COFFRINI

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Cristiano Ronaldo continua, ano após ano, a bater recordes. Há duas semanas, marcou o 700º golo da carreira, por Portugal, no jogo com a Ucrânia. Basta que marque mais duas vezes em 2019 para passar a ser o único jogador a ter marcado 30 golos ou mais ao longo de 13 anos civis consecutivos. E todavia, Ronaldo continua a ter uma vida para lá dos relvados, como ficamos a perceber na entrevista que deu à revista francesa “France Football”.

Aos 19 ou 20 anos, quando deixou o Manchester United para rumar a Madrid, Ronaldo percebeu que “o futebol são números, títulos, recordes”. E ficou bem percebido, tendo em conta os registos conseguidos até hoje. E a “rivalidade saudável” com Messi pode ter dado uma ajuda.

O trabalho desenvolvido pelo craque português foi “físico mas também mental”. Ainda assim, Cristiano sabe que “a perfeição não existe”. Quem o vê em campo, acredita que ele a persegue, de qualquer forma. “Mas quando regresso ao balneário, relaxo.” Ronaldo tem uma rotina para esses momentos menos ansiosos. “Após o jogo, vou jantar com os amigos. Volto a casa às 4 da manhã. Vou ao spa e mergulho em água gelada antes de me deitar. Levanto-me às 10 horas e tomo o pequeno-almoço. Às 11h vou ao ginásio. Se não mantiveres esta disciplina todos os dias, não consegues manter-te no topo durante 15 anos.”

Apesar da rotina, Cristiano Ronaldo não descarta os novos métodos que possam ajudá-lo a manter-se no topo. Afirma-se “bem rodeado, de gente inteligente” que o “ama” e “inspira”. “Todos os dias aprendo com eles. Há quatro ou cinco anos, e mais ainda quando fui pai, percebi que cometi um grande erro quando era jovem: não gostava da escola e não aprendi o que devia ter aprendido. (…) Hoje em dia, quero aprender mais do que nunca, instruir-me, educar-me, tenho uma enorme vontade de ler, fazer ioga. Vejo muitos documentários sobre os mestres da disciplina e sobre a meditação. (…) Todos deviam praticá-la porque todos têm problemas, vivemos todos com stress. (…) É preciso saber domesticá-lo.”

Disciplinado, confiante, Ronaldo não nega que os 35 anos pesam um pouco. “É lógico. Todos envelhecem. Podes estar de boa saúde muito tempo mas o teu corpo sofre uma erosão enorme contra a qual não podes fazer nada. Depois, podes ser um velho jovem, se percebes o que quero dizer. A esperança média de vida é, hoje em dia, de 82,5 anos. Mas a partir dos 65 anos, começamos a perder a memória, a precisar de tomar medicamentos. (…) O meu objetivo é ficar jovem, envelhecendo, mantendo-me competitivo.”

O jogador português vai buscar a inspiração a desportistas de outras modalidades, como Michael Jordan, mas também a outras figuras ímpares da história. “Adoro ler acerca dos Prémios Nobel, o que inventaram, geraram, desenvolveram. Os Prémios Nobel para essas pessoas é como a Bola de Ouro para mim. Adoro saber por que inventaram o que quer que seja e como o fizeram. É importante.”

Cristiano admite que “é agradável quando falam de nós de uma forma elogiosa”. E admite que gostaria de ser recordado como “o melhor, um jogador fantástico”. “Há 15 anos que me dedico à minha carreira, que faço sacrifícios. Depois, vou apreciar o que fiz, mas acima de tudo desfrutarei de estar com os amigos, a minha família, ver os meus filhos a crescer e estudar. Apreciar o momento presente. Transmitir a minha experiência de vida. Mas não para já. Acho que ainda posso fazer umas coisas…”