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Ricardo Sousa: “Por causa da naturalização do Deco, não fui convocado para o Euro 2004. Nesse ano, perdi o prazer de jogar”

Foi esperança como jogador, carregou o peso de ser filho de um histórico do futebol português. Agora treina o Beira-Mar

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Fernando Veludo

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Ricardo Sousa, filho de António Sousa, começou a carreira de jogador no FC Porto de Fernando Santos. Prometeu muito mas, à semelhança de imensos outros casos, acabou por não corresponder ao que dele se esperava. Hoje é treinador do Beira-Mar, equipa onde jogou várias épocas, e onde chegou a ser treinado pelo próprio pai, tendo com ele ganho a Taça de Portugal. O jornal “O Jogo” entrevistou-o.

O batismo nas Antas

“Quando se decidiu o número das camisolas, ia ficar para último; era um miúdo novo. O Folha disse-me: ‘tu não escolhes número’. (…) Quando Fernando Santos perguntou qualquer era o meu número, respondi que não escolhera nenhum. (…) O Folha disse: ‘O Ricardo é o número 10. Foi do pai dele.’”

A possibilidade de ter ido mais longe

“Não tenho dúvidas. Digo aos meus jogadores que oiçam o que digo e não façam o que fiz quando era jogador. Cometi muitos erros. (…) Fui eu o culpado.”

O Euro 2004

“Com 22, 23 anos, sentia que não havia ninguém em Portugal que jogasse melhor do eu. Até aos 23 anos, ganhei duas vezes o prémio de melhor jogador. Era considerado o melhor jogador do campeonato e, infelizmente, por causa da naturalização do Deco, não fui convocado para o Euro 2004. Nesse ano, perdi o prazer de jogar.”

O sentimento de injustiça

“Sem margem para dúvidas que me senti injustiçado. Depois de ter sido elogiado por toda a gente, ter sido (…) melhor marcador – não era normal um médio fazer 17 ou 18 golos (…) – e chegar ao fim de um ano, numa das melhores equipas nacionais, o Boavista, é óbvio que me senti injustiçado por ter sido preterido por uma naturalização.”

O melhor da família

“O meu pai foi dos melhores jogadores de sempre pela sua qualidade técnica, física e essencialmente humana. (…) O Afonso (filho, jogador do FCP B) está a dar passos seguros. Ainda não sabemos o que pode dar no futuro.”

Preto, branco, verde e azul

“Para mim, o preto é preto e o branco é branco. Tinha um treinador no Boavista que queria que eu dissesse que era verde quando era azul. E eu dizia ‘não, isso é azul’. Então ele dizia ‘se disseres que isto é azul e não verde, não jogas’. Então, eu não jogava. Passei algumas coisas más que não vou fazer enquanto treinador.”

Fernando Santos e a pouca comunicação

“Fernando Santos dava pouca oportunidade aos jogadores de falarem com ele. A comunicação era muito pouca, quase nula. Em termos táticos e de treino, os resultados estão à vista.”

O clube do coração

“Saí da Sanjoanense com 17 anos, fui para o FC Porto, estive lá cinco anos, mas o clube que mais mexe comigo é o Beira-Mar. É o clube do coração. Quero que o FC Porto ganhe campeonatos mas quando jogar com o Beira-Mar, serei sempre Beira-Mar.”