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"Assim, o Sporting fica sem ser campeão de futebol nos próximos 30 anos"

António Bessone Basto foi sete vezes campeão nacional de andebol pelo Sporting, internacional português em três modalidades e, aos 74 anos, tem mais de 1500 medalhas conquistadas entre natação, andebol, pólo aquático, caça submarina ou râguebi. Lamentou, em entrevista ao jornal "O Jogo", que o Sporting tenha sido "desacreditado por várias direções" e culpa a situação do clube, que não é de agora - "é a chamuça, é o croquete, o pastel de nata e ninguém se entende"

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David Ramos

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António Bessone Basto começou a nadar aos quatro anos, com oito fez a primeira travessia no Tejo, a natação levou-o aos Jogos Olímpicos, em 1964, e, dentro de água, de ganhou títulos em quase todos os estilos. Saiu das piscinas para os pavilhões, onde traduziu o jeito nas balizas de futebol para as de andebol, arregalando o interesse do Sporting.

Foi pentacampeão em Alvalade, integrou uma geração que passou duas épocas sem derrotas, entre as 12 que contabilizou no clube. No Sporting tornou-se internacional português em andebol, como o foi em natação, pólo aquático e caça submarina. Aos 74 anos, tem costelas de um ecletismo que ainda espalhou pelo futebol, râguebi, ténis de mesa, judo, karaté ou basquetebol, modalidades que praticou.

É um sportinguista que, em 2004, recebeu um Prémio Stromp, apenas um dos enésimos motivos que o levaram a conceder uma entrevista de vida ao jornal "O Jogo", na qual vaticina, com desagrado, um futuro contrário ao passado que teve, como atleta. "O clube tem sido desacreditado por sucessivas direções, que tiveram gente desonesta, interesseira e mesquinha. Quero união e, assim, o Sporting fica sem ser campeão de futebol nos próximos 30 anos", disse.

Esclarecendo, logo, que não é "Varandas, Ricciardi, nem Bruno [de Carvalho]" e nenhum candidato teve o seu voto nas últimas eleições, Bessone Basto explicou que "a situação do Sporting não é de agora", prosseguindo na sua crítica - "é a chamuça, é o croquete, o pastel de nata e ninguém se entende".

O titulado atleta defende "um investidor externo" que "invista a sério sem deixar que se brinque com o dinheiro", pautado por "uma linha bem traçada", explicou, na entrevista ao "O Jogo".

Em 2020, e do alto dos seus 74 anos, António Bessone Basto pretende competir em provas de duatlo, triatlo e atravessar o estreito de Gibraltar.

O rapaz de nasceu disléxico e cujo avô foi fundador do Sport Algés e Dafundo, tornou-se atleta olímpico, internacional em várias modalidades, ganhou mais de 1500 medalhas e recebeu as de Mérito Desportivo e de Amizade, do Comité Olímpico Português.