Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

As câmaras que apressaram a saída de Pochettino

O ex-treinador do Tottenham andava em conflito com a direção há algum tempo e o documentário da Amazon acabou por apressar as coisas

Tribuna Expresso

Marc Atkins/Getty

Partilhar

O mal-estar entre os dirigentes do Tottenham e o treinador Mauricio Pochettino não era novidade para ninguém. No entanto, tudo indica que ele terá sido agravado pela falta de investimento no plantel, incluindo as recusas do presidente do clube, Daniel Levy, aos pedidos do técnico. Aparentemente, segundo o “Daily Mail”, a gota de água terá sido a utilização de câmaras nos treinos.

Segundo o jornal inglês, o episódio terá acontecido em julho, no início da pré-temporada, quando o treinador pediu ao presidente dos Spurs a instalação de um sistema de câmaras para gravação dos treinos. Daniel Levy ouviu a proposta, mas recusou-a, negando-se a investir 93 mil euros nesse sistema. Pochettino terá insistido que era uma ferramenta importante para o seu trabalho e terá mesmo proposto financiá-lo do seu próprio bolso mas Levy não aceitou.

A situação ganhou um tom irónico quando, semanas depois, Daniel Levy aceitou uma oferta da Amazon para gravar um documentário sobre o clube, no valor de 11,7 milhões de euros, que implicaria a colocação de várias câmaras no centro de treinos e até dentro do próprio escritório do técnico argentino.

Ao mesmo tempo, tudo indica que há muito Pochettino se sentia impotente nas suas funções, que passariam essencialmente por orientar a equipa e pouco ou nada mais. Ao contrário do habitual em Inglaterra, o argentino não desempenharia as funções de “manager”, que permitem ao treinador gerir contratações, renovações e outros temas. No Tottenham, esse departamento era liderado por Rebecca Caplehorn e pelo próprio Daniel Levy, com o argentino a ter pouca ou nenhuma influência na matéria.