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Emiliano Sala: livro revela seis questões por esclarecer sobre a morte do jogador

A obra questiona as verdadeiras razões do acidente que vitimou o argentino

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Craig Brough

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Emiliano Sala era um jogador feliz quando foi contratado pelo Cardiff ao Nantes por 15 milhões de libras. Era nele que os adeptos do clube galês depositavam as esperanças da manutenção na Premier League. No entanto, em vez de lhe ter sido dado um lugar num jato executivo, foi posto numa avioneta que tremia por todos os lados, segundo o que o próprio ainda conseguiu descrever numa mensagem para o pai. E o piloto, David Ibbotson, não estava qualificado para transportar passageiros, uma vez que tinha desistido do treino para voos comerciais.

A tragédia aconteceu pouco depois da mensagem enviada por Sala ao pai. O jogador temia pela vida: “Parece que vai desfazer-se… Pai, estou cheio de medo”. Minutos depois, o avião despenhou-se no oceano atlântico.

Quase um ano depois, um novo livro a ser lançado este mês traz o caso de volta à ribalta, levantando questões acerca das verdadeiras razões da morte de Sala. Em “The Killing of Emiliano Sala”, Harry Harris revela que o Cardiff City contratou um advogado de topo para estudar um processo criminal e cível por homicídio contra o Nantes, o clube que vendeu o jogador.

Espera-se uma decisão este mês acerca de levar a ação sem precedentes para a frente. O jornal inglês “The Sun” cita uma fonte próxima do caso, que afirma que o desfecho do caso será como “atirar uma granada ao ar”.

No livro, é referido como a transferência recorde pode levar o Cardiff à falência, sem que o dono do clube, Vincent Tan, venha a correr para ajudar. O presidente do Cardiff, Mehmet Dalman, revela as razões morais e financeiras por trás da recusa do clube em pagar ao Nantes pela transferência. Diz o autor do livro que, tendo em conta os documentos submetidos pelo clube galês à FIFA, “é claro que eles consideram o Nantes responsável, uma vez que o agente Willie McKay, que organizou a viagem, estava a representar o clube francês”.

Sala já tinha andado no avião que acabaria por levá-lo à morte. A 19 de janeiro, o jogador foi visto em Cardiff, onde assinou pelo clube, e o regresso a Nantes foi feito nesse mesmo aparelho. Dois dias mais tarde, às 19h15, o avião levantou voo de Nantes mas desapareceu às 20:30 perto de Alderney, nas Ilhas do Canal.

A 25 de janeiro, as buscas pelo avião foram suspensas mas uma campanha de “crowdfunding” permitiu uma operação privada que acabou por encontrar os destroços a 3 de fevereiro. O corpo de Sala foi encontrado mas não o do piloto. A 19 de junho, um homem de 64 anos foi preso sob suspeita de homicídio. Apesar de a identidade nunca ter sido confirmada, os relatórios sugerem que se tratava de David Henderson, de York, um piloto experiente que estava originalmente encarregue de levar o avião no voo fatídico. Henderson terá pago a Ibbotson para pilotar o avião por ele. O livro questiona as razões que levaram um piloto respeito e experiente a confiar em Ibbotson, conhecido pelas dívidas e pela falta de formação. As suspeitas são inflamadas pelo facto de Henderson se ter recusado a colaborar com o Cardiff na investigação.

O presidente do Cardiff que está numa cruzada pelos direitos da família Sala. “A família parece ser mais uma vez posta de parte. A FIFA fala nos pagamentos ao Nantes. E os pagamentos à família? Se alguém devia ser considerado, e compensado financeiramente, é a família.”

O clube do Sul de Gales não nada em dinheiro. “É óbvio que não podemos pagar 15 milhões de libras sem irmos à falência,” desabafa o presidente. Mas em setembro passado, a FIFA ordenou ao Cardiff que pagasse a primeira prestação de 5,3 milhões da transferência de Sala. Isto depois de um conflito azedo sobre quem detinhas os direitos do jogador à data da sua morte. Segundo o “The Times”; a indicação da FIFA significou que o Cardiff ficaria responsável por pagar também as outras prestações, apesar de o clube ter recorrido.

O avião era um Piper Malibu N264DB registado nos EUA. Voava regularmente a partir de um aeroporto em Notts, Inglaterra. Estava registado no nome de uma empresa de consultoria baseada em Suffolk, mas a identidade do dono do aparelho permanece um mistério. As autoridades inglesas não podem revelar quem é porque os registos pertencem à Federal Aviation Administration, entidade dos EUA.

No ano passado, veio a público que o corpo de Sala revelou níveis elevados de envenenamento por monóxido de carbono, o que pode ter resultado na perda de consciência do passageiro e do piloto.